Carlos Filipe
Criciúma
A obra onde seria instalada a Central Funerária, na Avenida Santos Dumont, no bairro Milanese, em Criciúma, tem gerado preocupação entre moradores devido ao abandono do espaço e à presença de pessoas em situação de rua. A situação, segundo a comunidade, tem provocado insegurança e prejuízos.
De acordo com o presidente da Associação de Moradores do bairro Milanese, Eraldo Crispim, o local passou a ser utilizado como abrigo improvisado. “A obra está abandonada há dois anos. Com isso, virou praticamente um albergue. As pessoas ficam durante o dia e durante a noite”, afirma.
Furtos e mudança na rotina
Moradores relatam que, além da ocupação irregular, há registros de furtos na região. “Já furtaram fios do centro comunitário, dentro e fora. Foi colocado um poste perto da obra e também furtaram os fios”, relembra, comentando que a rotina do bairro mudou. “O bairro é bem tranquilo, não tínhamos nenhum problema antes, todo mundo se conhece. Agora, ficam andando pela rua, revirando lixeiras, são vários transtornos”, relata.
Entre os episódios mencionados, está a presença de um casal em frente a um imóvel disponível para locação. “Quando vimos, tinha um casal nu, tomando banho, na frente da casa”, reclama.
A demanda já foi levada a diferentes órgãos públicos e os moradores participaram de audiência pública e buscaram apoio junto ao Ministério Público, Polícia Militar e Prefeitura. “Na prefeitura, o que respondem é que levaram algumas pessoas para tratamento contra dependência química, mas depois outros voltam e causam problemas”, explica, frisando que a situação se estende a bairros vizinhos. “A comunidade do Pinheirinho, Jardim Angélica e São Luiz também sofre com o mesmo problema”, conta.
Ações do poder público
A secretária de Assistência Social de Criciúma, Dudi Sônego, informa que equipes do município realizam abordagens frequentes no local. “Nossa equipe esteve lá hoje (ontem) de manhã novamente. Vamos com frequência, junto com a equipe de limpeza urbana, pois há lixo e cobertores velhos”, explica, lembrando que medidas já foram adotadas para restringir o acesso à obra. “A segurança pública já foi ao local, cercamos com cadeado, mas ainda conseguem entrar”, ressalta, informando que, em uma das ações mais recentes, duas pessoas foram encontradas dormindo no espaço.
As abordagens e registros da Assistência Social confirmam que há rotatividade entre os frequentadores. “Através dos cadastros, percebemos que mudam as pessoas, mas a maioria são conhecidos de outros pontos”, explica.
Limitações legais e encaminhamentos
Sobre uma solução ou mesmo a retirada das pessoas daquele local, Dudi ressalta que a atuação do poder público segue a legislação. “Não podemos fazer nada além do que a lei nos permite. Se, através das abordagens da Polícia Militar, alguma situação de pendência com a Justiça é identificado, são tomadas as providências, mas quando não há motivo, não há como prender”, salienta. O Município também tem um programa que fornece vagas para tratamento contra a dependência química.. “Temos bastante aceitação de encaminhamentos para internação para tratamento de dependência química. Já tivemos até oito pessoas pedindo ajuda no mesmo dia, mas nem todas ficam até o final do tratamento”, conclui



