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quinta-feira, setembro 3, 2026

Munição de fragmentação do Irã mata duas pessoas em Tel Aviv

Uma bomba de fragmentação iraniana atingiu nesta quarta-feira, 18, um apartamento em Tel Avivi. Um casal de idosos, que morava no local, morreu no ataque.

Segundo serviços de emergência das áreas atingidas, além dos dois mortos, outras cinco pessoas ficaram feridas.

De acordo com o jornal israelense “Haaretz”, o casal estava em um prédio em Ramat Gan, uma região de subúrbio em Tel Aviv. A reportagem afirma que eles não teriam conseguido chegar a tempo ao bunker do edifício após as sirenes soarem na cidade.

Segundo autoridades locais, uma das bombas atingiu o telhado do prédio e perfurou o teto do apartamento.

Os ataques com bombas de fragmentação também deixaram outros cinco feridos nas cidades de Kafr Qasem, Petah Tikva e Bnei Brak.

-As munições de fragmentação, também chamadas de cluster munition, são armas projetadas para se abrir no ar e liberar diversas submunições sobre um grande território. As pequenas bombas têm como alvo principal áreas amplas e podem atingir de forma simultânea soldados, veículos e infraestruturas.-

A guerra no Oriente Médio chegou a terceira semana e já deixou milhares de mortos. De acordo com o balanço da organização de direitos humanos HRANA, no Irã, cerca de 3.099 pessoas morreram devido a bombardeios. No Líbano, o número de mortos é de 902 pessoas, segundo autoridades locais. O país é alvo de Israel, na guerra contra o Hezbollah.

Já em Israel, 14 pessoas morreram por causa de mísseis lançados pelo Irã. 13 militares dos EUA também perderam a vida.

Saiba o que é a munição de fragmentação

Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, elas foram armas usadas pela primeira vez durante a Segunda Guerra Mundial. De acordo com o mesmo comitê, ainda há uma grande proporção de munições de fragmentação estocadas, devido a Guerra Fria.

A utilização de tal armamento em áreas civis é considerado extremamente perigoso, já que muitas submunições não explodem no momento do impacto, permanecendo ativas no solo, funcionando com minas terrestres, o que pode causar danos aos civis, mesmo anos após o fim dos conflitos.

Críticas ao uso das munições

Foto: Legacies of War

Por conta da ampla dispersão e falha de detonação de parta das submunições, as bombas de fragmentação são consideradas uma das armas mais letais para civis, segundo organizações internacionais.

No ano de 2008 mais de 110 países assinaram a Convenção sobre Munições Cluster, em Dublin, na Irlanda. O tratado internacional proíbe o uso, desenvolvimento, armazenamento e transferência desse armamento. O acordo ainda estabelece que os países signatários se comprometem a nunca:

  • utilizar munições de fragmentação;
  • desenvolver, produzir, adquirir ou manter esse tipo de arma, de forma direta ou indireta;
  • colaborar ou incentivar qualquer ação que contrarie os termos do tratado.
  • Nem Israel, nem Irã são signatários do tratado.

Potências militares, como Estados Unidos, Rússia e Ucrânia não aderiram à convenção e, por este motivo, não estão legalmente vinculadas às restrições.

O Brasil também não está entre os signatários. Em 2017, um relatório da organização Human Rights Watch denunciou o uso de munições de fragmentação, com fabricação brasileira, que foram utilizadas em ataques a escolas no Iêmen, realizados dois anos antes por uma coalização liderada pela Arábia Saudita.

Na época, Steve Goose, diretor da divisão de armas da Human Rights Watch e presidente da Coalizão Contra Munições Cluster, fez uma dura crítica a postura brasileira. “O Brasil deve reconhecer que munições cluster são armas proibidas que nunca devem ser fabricadas, enviadas ou usadas devido aos danos que causam a civis”, declarou.

Além de apelar ao Brasil, ele também apelou a coalização saudita para se unirem ao tratado.

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