Moradores que vivem próximos ou às margens do Rio Urussanga acompanham com atenção mais um anúncio de investimentos voltados ao desassoreamento do curso d’água, que corta importantes municípios da região Sul catarinense. O rio atravessa as cidades de Urussanga, Cocal do Sul, Morro da Fumaça, Criciúma, Jaguaruna, Pedras Grandes, Sangão, Treze de Maio, Içara e Balneário Rincão, e há mais de 20 anos é motivo de preocupação para comunidades que convivem com o risco constante de cheias.
Nessa segunda-feira, o município de Morro da Fumaça sediou uma reunião da Frente Parlamentar em Defesa da Limpeza e Desassoreamento do Rio Urussanga. O encontro reuniu deputados estaduais, representantes do Governo do Estado, prefeitos, vereadores e diversas lideranças regionais. A principal pauta foi alinhar o plano de trabalho para os próximos meses, além de discutir questões orçamentárias relacionadas às ações necessárias para a limpeza e o desassoreamento do rio. Nesta etapa ainda não foi divulgado o valor dos recursos que serão aplicados.
Articulação
O prefeito de Morro da Fumaça, Eduardo Sartor Guollo, destacou que a união entre os municípios será decisiva para garantir mais agilidade nas ações voltadas ao desassoreamento do Rio Urussanga. Segundo ele, existem duas possibilidades sendo analisadas para viabilizar a execução do projeto. “Temos duas alternativas: a criação de um consórcio específico para tratar das ações no Rio Urussanga ou, para dar mais rapidez ao processo, aderir ao consórcio já existente por meio do Consórcio Intermunicipal Multifinalitário da Associação dos Municípios da Região Carbonífera (CIM-Amrec). Essa estrutura já está organizada e possui experiência, já que foi responsável por boa parte do trabalho realizado no Rio Sangão”, explicou o prefeito.
Guollo também ressaltou que existe a possibilidade de ampliar a participação regional no projeto. “Há ainda a possibilidade de municípios da Associação dos Municípios da Região de Laguna (Amurel) aderirem ao consórcio e integrarem esse programa, o que fortaleceria a união de esforços para enfrentar um problema que atinge toda a bacia hidrográfica. Vamos fazer uma grande força-tarefa para tirar o desassoreamento do papel”, acrescentou.
Além do prefeito de Morro da Fumaça, Eduardo Sartor Guollo, e do vice-prefeito Davi Pellegrin, participaram do encontro os deputados estaduais Rodrigo Minotto e Pepê Collaço; o presidente da Associação dos Municípios da Região Carbonífera (Amrec) e prefeito de Criciúma, Vagner Espíndola; a prefeita de Içara, Dalvania Cardoso; o prefeito de Cocal do Sul, Ademir Magagnin; o prefeito de Sangão, Castilho Silvano Vieira; o vice-prefeito de Jaguaruna, Henrique Fontana Boaventura; e o coordenador regional do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA), Ibanez Anibal Zanette.
Também estiveram presentes, representantes da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Santa Catarina (Fetaesc) e do Sindicato dos Areeiros.

Frente Parlamentar
A criação da Frente Parlamentar na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) ocorre em meio aos prejuízos recorrentes causados por alagamentos e enchentes na região. Moradores, berm como lavouras, pastagens e indústrias como olarias em diversos municípios da bacia hidrográfica têm sido diretamente afetados pelas cheias.
Nesse contexto, o desassoreamento do Rio Urussanga é apontado como uma das principais medidas estruturais para reduzir os impactos das enchentes e garantir mais segurança às comunidades que vivem ao longo do curso do rio.
Mais de duas décadas de espera
Apesar de voltar ao debate público, o desassoreamento do rio Urussanga está longe de ser um tema novo na Região Carbonífera. A discussão sobre a necessidade de intervenção no rio começou há mais de duas décadas. Em 2012, inclusive, um projeto chegou a ser elaborado, mas nunca saiu do papel.
Enquanto isso, sempre que períodos de chuva mais intensa atingem a região, famílias e empreendimentos voltam a sofrer com a elevação do nível da água e os prejuízos provocados pelas cheias.
O empresário Renato Zaccaron, que já presidiu o Sindicato da Cerâmica Vermelha de Morro da Fumaça (Sindicer), é um dos defensores da realização do desassoreamento, mas afirma manter certa cautela quanto à efetivação do projeto. “Quando eu fui vereador, em 2012, nós participamos daquele projeto. A cada reunião que era realizada, o valor da obra dobrava. Eu, de coração, espero que agora realmente saia do papel. Mas, pela experiência que já tive, ainda mantenho um pé atrás em relação a esse desassoreamento”, afirmou Zaccaron.
O ex-vereador e ex-presidente do Sindicer também lembra que o tema costuma voltar à pauta principalmente em períodos eleitorais. “É sempre na época de eleição que aparecem deputados prometendo resolver o problema. Passam as eleições e tudo some novamente. Eu falo com sinceridade: já participei e ainda participo da política, mas estou bastante decepcionado com a classe política quando o assunto é o desassoreamento do Rio Urussanga”, declarou Renato.
Por PAULO PAIXÃO
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