40 pessoas foram indiciadas pela Polícia Civil, nessa segunda-feira, 16, por participar em eventos relacionados à Farra do Boi. O caso aconteceu na cidade de Governador Celso Ramos, no Litoral Norte de Santa Catarina (SC). A prática, que tem raízes culturais entre descendentes açorianos, faz a associação do boi à figura do mal e geralmente é realizada na Quaresma (40 dias antes da Páscoa).
Os autores podem responder na Justiça pelos crimes de maus-tratos a animais e associação criminosa. A apuração durou mais de um ano. De acordo com a Polícia Civil, no total, foram apuradas 22 ocorrências do crime, com algumas tendo sido descobertas ao longo das investigações.
O ritual, que foi trazido por imigrantes açorianos, consiste em soltar um boi em um local ermo e cercado de pessoas, que vão provocar o animal para que ele corra atrás dos participantes até que chegue à exaustão.
Foram identificados, entre os indiciados, participantes, organizadores, financiadores, transportadores e vendedores dos animais, tendo, inclusive, o envolvimento de um vereador do município.
Os nomes dos envolvidos não foram divulgados.
Arrecadação de “vaquinhas”
A PC, também descobriu a existência de grupos organizados para a arrecadação de dinheiro, as chamadas “vaquinhas”. Os valores eram destinados à compra de animais e ao pagamento de advogados e de multas administrativas que foram aplicadas aos participantes.
“A configuração de associação criminosa foi reforçada pela repetição de nomes na articulação de aquisição e transporte do animal, com rateio de valores até mesmo de prejuízos, demonstrando uma divisão de tarefas estruturada”, afirmou a Polícia Civil por meio de nota.





