Um susto a cada boleto impresso. Assim tem sido a reação de muitos moradores de Forquilhinha ao acessarem o canal da Prefeitura para emitir o documento de pagamento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).
Isso porque, no final do ano passado, a Câmara de Vereadores aprovou, por sete votos favoráveis e um contrário, o reajuste do imposto para este ano. Conforme justificou, na ocasião, o município ao encaminhar o projeto de aumento, as alterações propostas decorreram da necessidade imperiosa e inadiável de ajustes e correções na planta de valores do Município, com a adequação de grupos e perímetros tributados. Um dos objetivos, segundo o Executivo, é aproximar os valores venais da realidade do mercado imobiliário local, com valores proporcionais, grupos e faixas que estariam defasados há mais de uma década.
De acordo com o projeto aprovado no Legislativo, os reajustes no IPTU para 2026 podem chegar a 70% para terrenos baldios e variar de 30% a 35% para imóveis com construção.
Único vereador que se posicionou contrário ao projeto, Felipe Dordeti (PP), afirmou que não haveria necessidade de aumentar o valor do imposto neste momento. “O meu voto foi contrário porque não vejo necessidade se o município está arrecadando bastante, como falam. Tem casas que tiveram aumento significativo e alguns lotes não tiveram esse reajuste. Alguma coisa está errada”, comentou o vereador.
SEM PALAVRAS
Um dos casos que chegaram à reportagem é de um morador que preferiu não se identificar, mas que afirma estar completamente sem palavras com o reajuste aplicado em dois de seus imóveis. Em um dos casos, o aumento foi de 140%.
“Na minha residência teve um aumento significativo, de 28%. Porém, em outro lote que eu tenho, que não possui construção, o reajuste chegou a 141%. Não tenho palavras para qualificar esse aumento. É um absurdo”, reclama o morador de Forquilhinha, que em 2025 pagou R$ 207,70 de imposto e neste ano se surpreendeu com o carne no valor de R$ 501,80.
Para ele, a discussão sobre o reajuste do IPTU não ocorreu de forma clara e sem a participação da população, principal impactada pelo projeto aprovado pelo Legislativo no dia 22 de dezembro, véspera de Natal. “Foi feito no apagar das luzes, porque com certeza a população iria berrar. Mas aí não deu mais tempo de discutir e já entrou em vigor no mês seguinte”, salientou.
Outro cidadão que, no ano passado, pagou R$ 185,76 de IPTU terá que desembolsar neste ano R$ 566,53. Além da indignação com o reajuste, ele também criticou a atuação dos vereadores.
“Aumentar impostos nunca é bom. Já participei de algumas sessões na Câmara e os projetos mal são lidos, todos votam sim e fica por isso. Um projeto desses deveria estar bem embasado para justificar um aumento tão grande, mas essa explicação não foi passada para a população”, criticou.
Prefeito diz que mudança traz equiparação
Procurado pela reportagem para falar sobre o assunto, o prefeito de Forquilhinha, José Cláudio Gonçalves, o Neguinho, afirma que a alíquota utilizada como base para o cálculo do IPTU permanece a mesma há mais de 20 anos e que a principal mudança para 2026 foi a atualização do valor venal dos terrenos e imóveis.
“Tem muita polêmica, tem muita verdade e também tem muito mito. A alíquota utilizada para o cálculo do IPTU é a mesma desde 2012. A diferença está no valor venal dos terrenos, que não era atualizado desde 2014, quando foi a última alteração. Agora, em 2026, fizemos parte da equiparação do valor venal, diminuindo a diferença entre o valor de venda e o valor venal”, explica o prefeito.
Neguinho cita um exemplo para ilustrar a mudança. “Vou dar um exemplo. No bairro Santana, o valor venal de um terreno era de R$ 30 mil. Nós atualizamos para R$ 60 mil. Sabe quanto está o preço de venda de um terreno em Santana hoje? Em torno de R$ 150 mil. Então não houve reajuste, houve uma equiparação”, afirmou o chefe do Executivo.
O prefeito também orienta que moradores que se sintam prejudicados procurem a Prefeitura para solicitar uma revisão. “Como toda mudança mais traumática, nós temos quase 19 mil carnês emitidos. Existe um percentual de cerca de 2 a 3 mil carnês em que estamos orientando a comunidade a fazer um protocolo para que haja uma conferência dos valores”, conclui Neguinho.




