Defesa divulga vídeo que mostraria cão Orelha vivo horas após agressões

Gravações surgem enquanto Polícia Civil conclui inquérito e mantém responsabilização de adolescente

Um vídeo divulgado pelos advogados de defesa do adolescente investigado pela morte do cão comunitário Orelha, em Florianópolis, passou a integrar o debate público sobre o caso. As imagens, segundo a defesa, teriam sido registradas na manhã do dia 4 de janeiro e mostrariam o animal caminhando pela Praia Brava horas após as agressões apontadas pela investigação.

De acordo com os advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte, o registro indicaria que o cão ainda estava vivo após o período em que a Polícia Civil afirma que ocorreu o ataque, entre 5h25 e 5h58. No vídeo, aparecem dois cachorros circulando pelo bairro. Conforme a defesa, um deles seria Orelha, que surge de trás de arbustos, sobe na calçada e caminha até desaparecer próximo a um poste. Para os advogados, as imagens colocariam em dúvida as provas apresentadas contra o adolescente.

Conclusão do inquérito

Apesar da divulgação do vídeo, a Polícia Civil de Santa Catarina concluiu, nesta terça-feira (3), o inquérito que apurou a morte do cão Orelha e os maus-tratos ao cão Caramelo. Segundo a corporação, as investigações confirmaram a autoria das agressões e reuniram um conjunto robusto de provas técnicas e testemunhais. No caso Orelha, a polícia representou pela internação de um adolescente, medida equivalente à prisão no sistema adulto. Já no caso Caramelo, quatro adolescentes foram responsabilizados. Três adultos também foram indiciados por coação a testemunha.

Para chegar à conclusão do inquérito, foi montada uma força-tarefa envolvendo diferentes órgãos de segurança. Ao todo, mais de mil horas de imagens de 14 câmeras de segurança espalhadas pela Praia Brava foram analisadas. A investigação ouviu 24 testemunhas e apurou a participação de oito adolescentes suspeitos. Roupas utilizadas no dia do crime, como um moletom e um boné, além de dados de localização por GPS, também foram considerados elementos-chave. Um software de análise de deslocamento auxiliou na confirmação da presença do adolescente no local e horário das agressões.

O cão comunitário Orelha foi atacado na madrugada de 4 de janeiro, por volta das 5h30, na Praia Brava, no Norte da Ilha. Laudos da Polícia Científica apontaram que ele sofreu uma pancada contundente na cabeça, possivelmente causada por um chute ou por um objeto rígido. O animal foi resgatado por populares no dia seguinte e morreu em uma clínica veterinária em decorrência dos ferimentos.

Durante a apuração, a Polícia Civil destacou o cuidado para evitar vazamentos, já que o adolescente deixou o país no mesmo dia em que os suspeitos foram identificados, retornando apenas em 29 de janeiro, quando foi interceptado no aeroporto. O inquérito foi finalizado conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e encaminhado ao Ministério Público e ao Judiciário. A polícia afirma que a análise dos dados dos celulares apreendidos ainda poderá reforçar provas já obtidas e trazer novas informações sobre o caso.

Com informações do ND Mais.

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