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Teste de DNA

O ministro Renan Filho é a voz do presidente Lula ao afirmar que, em até 12 meses, começam as obras de construção dos dois túneis no Morro dos Cavalos. Mas o governador Jorginho Mello fala por Santa Catarina ao colocar em xeque o anúncio, interpretando-o mais como uma promessa. De fato, Renan, avalizado por Lula, assinou um cheque em branco. E resta agora à oposição exercer o papel fiscal, exigindo que o compromissado seja realizado. Trata-se de uma guerra política e, no meio dela, precisamos é do fruto, da conquista.

O teste de paternidade, de quem é o pai da criança, deve ser o que menos importa a essa altura. Mas trata-se de um show de narrativas, tendo como pano de fundo a dicotomia nacional mas, no conflito verbal do ministro e do governador, há um tempero pessoal que remonta os tempos de Jorginho no Senado. A certa altura, o então senador chamou o colega Renan Calheiros de “velhaco” e lembrou disso agora, ao contrapor o ministro e filho do seu oponente.

Referindo o ex-presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP) – autor original do xingamento –, Jorginho chamou o ministro de “velhaco filho” e o senador de “velhaco pai”. Foi uma resposta dura à crítica contundente que Renan havia feito mais cedo, no programa que este colunista apresenta na Rádio Cidade em Dia, destacando a ausência do governador em pautas do Governo Federal. “O que mais me surpreende é o governo não ter obra”, disparou o ministro. “Governo passa rápido e, por aqui, passaram criando confusão e brigando”. E foi além, afirmando que “as pessoas precisam olhar essas coisas, senão a gente elege quem não tem condições de governar”.

Há prós e contras nos dois vieses. Renan traz excelente notícia, mas que quando com o intangível do prazo. Se ele conseguir fazer algo acontecer em tempo da eleição, colhe frutos. Mas se a burocracia imperar, a desconfiança só crescerá. E Jorginho, que perdeu outra chance de descer do palanque – o que já era esperado – garante que vai aplaudir caso tudo aconteça, mas não escondeu sua incredulidade e deixou no ar a noção de que o ato foi mais eleitoreiro do que prático, e que caberá ao catarinense pagar a obra com o pedágio posterior ao início dela. Que o catarinense leve a melhor nisso tudo.

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