Vírus Nipah pode chegar ao Brasil? Entenda o risco real

Surto na Índia colocou mais de 100 pessoas em quarentena, mas não há registros na América Latina

Cerca de 100 a 110 pessoas foram colocadas em quarentena na Índia após a confirmação de novos casos do vírus Nipah, um patógeno de alta letalidade monitorado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Apesar do avanço da doença no Sul da Ásia, não há registros da infecção no Brasil nem em outros países da América Latina, segundo autoridades de saúde e especialistas.

Os casos mais recentes ocorreram no estado indiano de Bengala Ocidental e envolveram, principalmente, profissionais da saúde. De acordo com a emissora indiana News 18, afiliada da CNN, o surto levou países vizinhos como Tailândia, Nepal e Taiwan a reforçarem protocolos sanitários em aeroportos, com checagens mais rigorosas de saúde para passageiros.

Identificado pela primeira vez em 1999, o vírus Nipah é classificado pela OMS como prioritário por seu potencial de causar epidemias. A infecção pode provocar desde sintomas iniciais semelhantes aos de uma virose comum, como febre, dor de cabeça e mal-estar, até quadros graves, incluindo infecções respiratórias agudas e encefalite, inflamação do cérebro que pode levar à morte. A taxa de letalidade pode chegar a até 70%, e não existe vacina ou tratamento específico, apenas cuidados de suporte.

Segundo a infectologista Rosana Richtmann, do Grupo Santa Joana, o vírus é especialmente agressivo para o sistema nervoso central. Ela explica que, após os primeiros sintomas, o quadro pode evoluir rapidamente para alterações neurológicas graves, principalmente em casos mais severos.

A transmissão do Nipah ocorre principalmente de animais para humanos, especialmente por meio de morcegos frugívoros, considerados os principais reservatórios naturais do vírus, e de porcos. Também há registro de transmissão por alimentos contaminados e de pessoa para pessoa, sobretudo em ambientes hospitalares, conforme destaca a Organização Mundial da Saúde.

E o risco para o Brasil?

Especialistas afirmam que, no momento, o risco de o vírus chegar ao Brasil é considerado baixo. Isso porque o país não abriga o hospedeiro natural do Nipah, o que dificulta a circulação do vírus. “Não há motivo para preocupação para quem está no Brasil, a não ser que tenha viajado para áreas afetadas”, avaliou a infectologista Rosana Richtmann.

Ainda assim, a médica ressalta a importância de planejamento e vigilância por parte das autoridades sanitárias brasileiras. A preparação envolve protocolos para identificação de casos suspeitos, monitoramento de viajantes, isolamento, rastreamento de contatos e definição clara de fluxos de atendimento no sistema de saúde.

A avaliação geral é de que o vírus Nipah preocupa pela gravidade e pela alta taxa de mortalidade, mas, neste momento, permanece restrito a regiões específicas da Ásia. Para o Brasil, o cenário segue sendo de monitoramento e prevenção, não de emergência sanitária.

Com informações do g1.

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