Internacional: repressão a protestos no Irã já deixa mais de 3,4 mil mortos

ONGs denunciam execuções, prisões em massa e violência estatal enquanto EUA elevam o tom contra Teerã

A repressão do regime iraniano às manifestações que se espalharam pelo país desde o fim de dezembro já deixou mais de 3,4 mil mortos, segundo levantamento divulgado pela organização Iran Human Rights (IHR). A maioria das vítimas é formada por manifestantes mortos durante ações das forças de segurança entre os dias 8 e 12 de janeiro.

De acordo com o IHR, ao menos 3.379 manifestantes perderam a vida no período analisado. O balanço também inclui mortes de integrantes das forças militares, policiais e de segurança, conforme dados divulgados pela mídia estatal iraniana. A organização, que monitora a situação a partir de fontes internas ligadas ao sistema de saúde do país, ressalta que os números representam um mínimo, já que há dificuldades na apuração em razão do bloqueio da internet e da repressão às informações.

Relatos reunidos pelo IHR e por outras entidades internacionais descrevem o uso de força letal contra civis desarmados, incluindo casos em que manifestantes teriam sido mortos mesmo após se renderem. Há ainda denúncias de execuções extrajudiciais e de mortes de pessoas feridas, inclusive dentro de unidades de saúde.

Além das mortes, organizações de direitos humanos estimam que mais de 18 mil manifestantes tenham sido presos em todo o país. O Judiciário iraniano anunciou que dará prioridade a julgamentos rápidos, o que acendeu um alerta internacional diante do risco de condenações sumárias e penas capitais.

Um dos casos citados pelo IHR é o do manifestante Erfan Soltani, de 26 anos, condenado à morte após um processo considerado acelerado e sem garantias legais, como acesso pleno à defesa. A entidade afirma que execuções como essa podem ser usadas como instrumento de intimidação contra os protestos.

A escalada da violência gerou reações externas. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que avalia medidas duras contra o Irã e afirmou que o país poderá sofrer consequências caso avance com execuções de manifestantes. O governo iraniano respondeu acusando Washington de interferência e declarou estar preparado tanto para negociações quanto para um eventual confronto.

Os protestos começaram com reivindicações ligadas à crise econômica, impulsionadas pela inflação e pela desvalorização da moeda local, mas rapidamente assumiram caráter político, com pedidos de mudança de regime. Segundo o IHR, as manifestações atingiram todas as províncias do Irã e representam a maior mobilização popular desde os atos de 2022 e 2023, desencadeados pela morte de Mahsa Amini sob custódia policial.

Organizações internacionais reforçam o apelo para que a comunidade internacional atue de forma urgente, a fim de conter a repressão e evitar novas execuções em massa no país.

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