Governo de Siderópolis estuda novas regras para distribuição de uniformes

Após o descarte irregular de peças em área pública, governo municipal avalia alternativas como a devolução de uniformes antigos no momento da entrega dos novos, mantendo o apoio às famílias e o uso responsável do dinheiro público

Alexandra Cavaler

Siderópolis

O que deveria aquecer, proteger e garantir dignidade às crianças virou símbolo de descaso com o dinheiro público. Uniformes escolares comprados com recursos da população e distribuídos gratuitamente pela Prefeitura de Siderópolis foram encontrados jogados em vias públicas e terrenos baldios na Vila São Jorge, região de divisa com o bairro São Marcos. A cena revoltante escancara um problema que vai além do lixo irregular: o desperdício de um investimento feito para beneficiar diretamente a comunidade.

O dinheiro usado na compra dos uniformes não é abstrato nem distante, é o imposto pago pelos cidadãos. É recurso do povo que retorna em forma de política pública, pensado para aliviar o orçamento das famílias e garantir igualdade às crianças da rede municipal. Quando um uniforme é descartado como lixo, não se joga fora apenas tecido: joga-se no ralo o esforço coletivo de toda a população.

Durante vistoria no local, o prefeito de Siderópolis, Franqui Salvaro, manifestou profunda tristeza e indignação ao constatar a situação. “É lamentável ver como algumas pessoas descartam o que acham que não precisam mais, jogando no meio da rua ou em terrenos que não são delas. Isso é errado e desnecessário”, afirmou.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, o prefeito de Siderópolis lamentou a situação e classificou o episódio como “triste e vergonhoso”, destacando que os uniformes foram adquiridos com recursos públicos e entregues gratuitamente às famílias como forma de auxiliar no orçamento doméstico.  “Nós trabalhamos, compramos uniformes e material escolar e entregamos para as crianças. Quando vemos isso jogado fora, dói. Isso entristece a mim e, com certeza, entristece toda a equipe da educação”, disse.

Franqui Salvaro lembrou que, todos os anos, a administração municipal faz um esforço financeiro para garantir que os estudantes recebam gratuitamente os uniformes. “Este ano, novamente, vamos entregar os uniformes. Mas existem crianças que se matriculam depois e precisam comprar. Um uniforme que não serve mais para uma criança poderia ajudar outra família, poderia aquecer alguém que não tem condições de comprá-lo”, destacou.

Recurso público

O prefeito foi enfático ao lembrar a origem dos recursos públicos. “O que mais me entristece é a pergunta que fica: o que se faz com o dinheiro público? Quando alguém joga um uniforme no lixo, está jogando fora o dinheiro do povo. Esse dinheiro é meu, é teu, é nosso”, declarou.

Para Franqui Salvaro, o episódio deve servir como reflexão coletiva. “Eu me sinto até envergonhado pela pessoa que fez isso. A gente pede encarecidamente que as pessoas coloquem a mão na consciência. O dinheiro público é usado para fazer o bem, para beneficiar a população, e não para ser descartado dessa forma. Isso é dinheiro jogado pelo ralo”, concluiu.

A Prefeitura reforça que uniformes em bom estado podem e devem ser doados, reutilizados ou encaminhados corretamente, evitando desperdício e ajudando quem mais precisa. Mais do que uma questão de limpeza urbana, o caso reacende o debate sobre responsabilidade social, cidadania e respeito ao que é de todos.

Recolhidos e limpos

Como medida imediata, os uniformes encontrados foram recolhidos, lavados e encaminhados à Secretaria Municipal de Educação. As peças ficarão disponíveis para crianças que eventualmente necessitem durante o ano letivo. O prefeito também destacou que a administração estuda alternativas, como a devolução de uniformes antigos no momento da entrega dos novos, embora reconheça que muitas crianças reutilizam as peças de um ano para o outro.

Ao final do pronunciamento, o gestor fez um apelo à população por mais consciência social e responsabilidade no descarte de materiais. “Não é só sobre uniforme, é sobre nossas atitudes no dia a dia. Tem muita gente que precisa. Jogar fora não pode ser a solução”, concluiu.

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