Tiago Monte
Uma das obras mais aguardadas por catarinenses e gaúchos está próxima do final. A Serra da Rocinha, na BR-285, em Timbé do Sul, deve ser totalmente liberada, no lado catarinense, até 15 de fevereiro. É o que garante o superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Amauri Sousa Lima. “Nós tínhamos programado a entrega da obra para final de dezembro. Mas as intempéries, a chuva muito forte, atrapalharam nossos planos. Para quem conhece bem a Serra da Rocinha, sabe que ali a umidade é alta e para você trabalhar com umidade realmente atrasa muito. Os equipamentos têm que parar e nós marcamos agora para uma nova data para meados de fevereiro”, destaca Amauri.
Quando perguntado sobre uma data, Amauri fala em 15 de fevereiro. “A nossa ideia é que, até o dia 15 de fevereiro, a gente já esteja com tudo concluído. Eu acho que a gente consegue trabalhar com folga, até mesmo porque nós adiantamos bastante o serviço, pois havia a programação de entrega para dezembro. Então, a gente acelerou e, realmente, eu volto a repetir, as intempéries nos atrasaram um pouco. Foi muita chuva na região, mas está andando bem”, pontua.
As obras de reconstrução avançaram no trecho atingido pelo deslizamento ocasionado pelas chuvas de 2024,que destruiu cerca de 210 metros da rodovia e exigiu investimentos superiores a R$ 62 milhões. Na ocasião, uma enchente assolou o Rio Grande do Sul, mas também atingiu boa parte de Santa Catarina, mesmo que em menor escala. “Isso aconteceu naquela chuva de 2024 que foi mais famosa no Rio Grande do Sul do que em Santa Catarina. mas nós tivemos muitos estragos aqui em Santa Catarina, sendo que o maior foi esse: na Serra da Rocinha. Aquela chuva toda que caiu no Rio Grande do Sul também afetou muito Santa Catarina e tivemos vários estragos aqui. Nós tivemos estragos na 280 e na 270. Também tivemos estragos grandes na 282, mas o maior foi esse da Serra da Rocinha”, ressalta Amauri.
Cortinas atirantadas são implantadas no local
No trecho afetado pelo deslizamento, foi necessário implantar duas cortinas atirantadas, sendo uma inferior, situada na encosta acima da rodovia, com 5,30 metros de altura, e outra superior, com 6,80 metros. As cortinas atirantadas são os famosos “muros de arrimo”. “Esses projetos grandiosos são as cortinas atirantadas em dois patamares. Eu chamo de cortina atirantada o que o pessoal chama de ‘muro de arrimo’. Então, nós fizemos um ‘muro de arrimo’, na parte superior, no primeiro patamar, e fizemos um na parte inferior, no segundo patamar. Onde não foi feito esse muro de arrimo, que são cortinas atirantadas, a gente colocou telas de aço para evitar que pequenas pedras também voltem a cair. E também, ela é atirantada, ou seja, é fixada profundamente no morro. E isso evita que caiam as pedras em uma possível erosão futura”, enfatiza o superintendente.
Essa obra dará uma segurança maior para o local em Timbé do Sul, contando, inclusive, com um sistema de drenagem. “Aágua que vier de cima, vai ser direcionada para pontos onde não vai causar erosão. Então, foi um projeto grandioso e nós vamos começar, já nesse mês, a fazer a terraplanagem da nova rodovia Onde também vai ser com pavimento de concreto e também um guard-rail na lateral, pois tem uma altura muito grande onde a rodovia caiu. São esses os serviços que estão faltando. e eu creio que se a chuva não será problema para nós concluirmos até meados de fevereiro”, reafirma Amauri.
Trânsito volta a operar em sistemas de comboios
Até o final da obra, o trânsito na Serra da Rocinha será em sistema de comboio. Isso para garantir a segurança e a fluidez no trecho. “Nós tivemos um intervalo de Natal e Ano Novo, onde a gente deu uma parada. O trânsito estava fluindo normalmente, até mesmo porque o pessoal fez uma limpeza grande das pedras. Agora, o trânsito vai voltar, três vezes por dia, enquanto nós estamos trabalhando, porque realmente corre o risco de cair alguma pedra, mesmo embora a obra já esteja bem adiantada. Mas é questão de mais alguns dias, porque daqui a pouco nós já estaremos com a margem, a pavimentação e liberaremos o trânsito”, detalha.
Trecho gaúcho tem avanço nas etapas
No Rio Grande do Sul, a pavimentação da BR-285 tem investimento de, aproximadamente, R$ 120 milhões e a expectativa é de que a obra seja entregue ainda neste ano. O consórcio responsável pela obra está executando os serviços de terraplanagem e pavimentação no trecho de 8,3 quilômetros, que liga o lado catarinense ao município de São José dos Ausentes.
Além da pavimentação, o projeto prevê a construção da ponte sobre o Rio das Antas, com 400 metros de extensão e quase 60 metros de altura.
Obra é muito aguardada pela população
A obra histórica, na Serra da Rocinha, é aguardada há 70 anos para integrar o Sul do Brasil. A pavimentação era um desejo antigo e vista como um divisor de águas para a integração logística entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul, especialmente para o Porto de Imbituba. “O ministro (dos Transportes) Renan (Filho) tem um interesse muito grande nisso. Ele pede que a gente realmente faça a entrega desta obra o mais rápido possível”, finaliza Amauri.




