O ex-presidente Jair Bolsonaro definiu que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deverá ser o nome do Partido Liberal para a disputa à Presidência da República em 2026. A decisão foi confirmada na tarde desta sexta-feira (5), por Valdemar Costa Neto, presidente do PL, que afirmou à VEJA que o ex-chefe do Executivo “ratificou” a candidatura do filho mais velho.
Pouco depois, Flávio usou as redes sociais para comunicar que assumiu a missão de representar o projeto político do bolsonarismo. Em sua publicação, o senador afirmou que não pretende assistir passivamente ao que classifica como um cenário de instabilidade e críticas ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
“É com grande responsabilidade que confirmo a decisão da maior liderança política e moral do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, de me conferir a missão de dar continuidade ao nosso projeto de nação.
O nosso país vive dias difíceis, em que muitos se sentem abandonados, aposentados são roubados pelo próprio governo, narco-terroristas dominam cidades e exploram trabalhadores, estatais voltaram a ser saqueadas, novos impostos não param de ser criados ou aumentados, nossas crianças não têm expectativas de futuro.
Ninguém aguenta mais! Mas eu creio em um Deus que não abandona nossa nação. Eu creio que Ele levanta pessoas e inicia novos tempos quando o povo clama por justiça. Eu creio que nenhum cativeiro é maior do que o poder de Deus para libertar. Eu me coloco diante de Deus e diante do Brasil para cumprir essa missão. E sei que Ele irá à frente, abrindo portas, derrubando muralhas e guiando cada cada passo dessa jornada”, prosseguiu”, escreveu Flávio no X (antigo Twitter).
Segundo aliados, a escolha foi discutida durante a visita do parlamentar ao pai, na terça-feira (2), na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde o ex-presidente cumpre pena por crimes ligados à tentativa de golpe de Estado. A indicação de Flávio já vinha ganhando força nas últimas semanas, mas o anúncio público foi adiado porque, no mesmo dia, o PL buscava contornar uma crise interna provocada por manifestações de Michelle Bolsonaro sobre alianças partidárias no Ceará.
Informações publicadas pela coluna de Paulo Cappelli, do Metrópoles, apontam que é a primeira vez que Bolsonaro expressa formalmente o desejo de ver o primogênito na disputa presidencial. O portal também destacou que aliados veem o senador como um nome de perfil mais moderado, capaz de transmitir previsibilidade.
A sinalização provocou reação imediata no mercado financeiro. De acordo com apurações também citadas pelo Metrópoles, investidores passaram a precificar um aumento do risco político: o dólar subiu e a bolsa recuou. Analistas consideravam o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) como o nome preferido do setor para enfrentar Lula em 2026, avaliação que, segundo o mercado, não se estenderia a Flávio.




