O ex-comandante da Marinha, Almir Garnier Santos, foi preso nesta terça-feira (25) em uma unidade militar da própria corporação, em Brasília, após ter sua prisão determinada pelo ministro Alexandre de Moraes. Condenado a 24 anos de reclusão no processo que apura a tentativa de golpe de Estado, o militar ficará detido na Estação Rádio da Marinha, na capital federal.
A sentença reconheceu a participação de Garnier em cinco crimes: organização criminosa armada, tentativa de golpe, tentativa de abolir violentamente o Estado Democrático de Direito, dano qualificado ao patrimônio da União e deterioração de bens tombados. Para a Procuradoria-Geral da República, ele foi o único dos então comandantes das Forças Armadas a aderir ao plano golpista, colocando efetivos da Marinha à disposição do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Um dos principais elementos do processo é a delação do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência. Ele relatou uma reunião ocorrida em dezembro de 2022, no Palácio da Alvorada, na qual Bolsonaro teria apresentado uma minuta que defendia uma ruptura institucional. De acordo com o depoimento, Garnier teria demonstrado apoio à proposta.
O que diz a defesa
A defesa do ex-comandante, no entanto, sustenta que ele não participou da articulação e afirma que não há provas que confirmem adesão a qualquer plano golpista. Os advogados apontam contradições entre os relatos dos ex-comandantes do Exército, Marco Antônio Freire Gomes, e da Aeronáutica, Carlos de Almeida Baptista Júnior, um dizendo que houve oferta de tropas, outro afirmando que Garnier apenas se colocou “ao lado do presidente” por respeito à hierarquia.
A defesa também questiona a consistência da delação de Mauro Cid, alegando omissões e incompatibilidades no depoimento, além da ausência de ligação direta entre Garnier e os atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.




