Foi divulgada nesta segunda-feira (18) uma pesquisa que aponta a desaceleração da economia brasileira, que cresceu 0,5% na passagem do primeiro para o segundo trimestre. No primeiro trimestre a alta tinha sido de 1,3%.
As estimativas são do Monitor do Produto Interno Bruto (PIB), estudo mensal do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV).
Divulgado no Rio de Janeiro, o Monitor do PIB ainda destaca que no acumulado de 12 meses, a expansão é de 3,2%. O levantamento apresenta estimativas sobre o comportamento do PIB, conjunto de todos os bens e serviços produzidos no país, e serve como prévia do dado oficial, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo a FGV, de maio para junho a expansão também foi de 0,5%. Para a pesquisa são excluídas dos dados as variações típicas da época do ano, para que efeitos do calendário (como a diferença no número de dias úteis) não interfiram a comparação entre períodos diferentes.
Juros altos
Para a economista do Ibre, Juliana Trece, o crescimento do segundo trimestre se deve aos desempenhos dos setores de serviços e da indústria. Nos serviços, ela explica que o crescimento foi disseminado na maior parte das atividades. Já na indústria, o desempenho positivo foi concentrado na atividade extrativa, o que mostra maior fragilidade do setor, segundo ela.
Conforme Trece, a “relevante desaceleração” do crescimento no segundo trimestre pode ser atribuída por dois fatores: por não ter havido a forte contribuição positiva da agropecuária, algo que aconteceu no primeiro trimestre e pelo efeito defasado do elevado patamar dos juros na atividade econômica.
Em setembro do ano passado a escalada dos juros começou, quando a taxa básica (Selic) saiu de 10,5% ao ano e, gradativamente, chegou aos atuais 15%, maior nível desde julho de 2006 (15,25%). Desde setembro de 2024, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está acima do teto da meta (4,5%).
Um aspecto do juro alto é o efeito contracionista, que combate a inflação. A elevação da taxa faz com que empréstimos fiquem mais caros – seja para pessoa física ou empresas ─ e desestimula investimentos, uma vez que pode valer mais a pena manter o dinheiro investido, rendendo juros altos, do que arriscar em atividades produtivas.
Juntos, esses efeitos freiam a economia. Logo, menos atividade tende a ser sinônimo de menos emprego e renda. De acordo com o Banco Central, o efeito da Selic na inflação leva de seis a nove meses para se tornar significativo, coincidindo com a percepção do Monitor do PIB.
Via Agência Brasil.




