Içara/Criciúma
Edson Padoin
cidades@tnsul.com
O calor nas salas de aula das escolas estaduais de Santa Catarina tem sido um desafio constante para alunos e professores. Dados de 2023 do Censo Escolar, realizado pelo Ministério da Educação, revelam que em muitas regiões, a climatização das unidades de ensino é insuficiente, expondo a comunidade escolar a condições prejudiciais tanto para o aprendizado quanto para a saúde.
Em cidades como Criciúma, 54,5% das escolas contam com ar-condicionado, mas em Araranguá o índice é ainda mais baixo, com apenas 38,7% das salas climatizadas. No total, dos 14.156 ambientes de ensino da rede estadual catarinense, apenas 5.143 possuem climatização, o que equivale a uma em cada três salas de aula. Isso significa que mais da metade dos alunos e professores enfrentam temperaturas extremas durante os períodos mais quentes do ano, comprometendo o desempenho escolar e gerando impactos na saúde.
Dados
Santa Catarina ocupa atualmente a 9ª pior posição no ranking nacional de climatização escolar, ficando atrás de estados como Rondônia, Mato Grosso e Rio de Janeiro, onde mais de 70% das escolas estão equipadas com ar-condicionado. A situação é preocupante, especialmente porque as normas trabalhistas do Ministério do Trabalho, por meio da Norma Regulamentadora 17 (NR-17), determinam que ambientes de trabalho com atividades intelectuais devem ter temperaturas entre 20°C e 23°C. No entanto, as escolas catarinenses registram temperaturas bem acima dessa faixa, tornando o ambiente insalubre tanto para docentes quanto para estudantes.
“Crianças desmaiando e desidratadas”
A Escola de Educação Básica (EEB) Ignácio Stakowski, localizada no bairro Presidente Vargas, em Içara, foi um dos locais visitados pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina (Sinte-SC) após denúncias de condições insuportáveis. Em depoimentos, professores relataram que o calor extremo tem causado sérios problemas de saúde entre alunos e professores, como desmaios e vômitos. A situação foi confirmada por uma das educadoras da unidade.
Situação
“Primeiramente, eu gostaria de ressaltar que uma escola precisa ter um acervo para as crianças poderem aprender. É impossível estudar com 38°C, sem um ventilador que funcione. Na semana passada, eu estava na sala do 8º ano, pingando de suor, e os alunos não aguentavam ficar comigo na sala de aula porque não tem como estudar. Com 30 adolescentes tentando estudar, com calor insuportável, não tem como. Humanamente, é necessário ter ar-condicionado ou, pelo menos, três ventiladores que funcionem. Além disso, precisamos de água gelada para não desidratar, porque as crianças estavam desidratando, desmaiando e vomitando. E os professores também não aguentam. Somos seres humanos e precisamos de condições mínimas”, relatou uma professora da EEB Ignácio Stakowski que não será identificada.
Outro relato de uma professora da mesma instituição foi igualmente alarmante. “A nossa escola é de tempo integral. Das 13 salas de aula, nós temos quatro com ar-condicionado, que não são muito eficientes. Nesses dias de calor, foi difícil para todos. A água não dava conta de esfriar com o calor desumano. A gente solicita que o Estado faça a parte dele, que é manter uma estrutura física mínima para garantir a saúde e o bem-estar de todos”, afirmou a educadora.
Levantamento está sendo feito na região
O coordenador do Sinte-SC, Evandro Accadroll, também se pronunciou sobre a situação. “Estamos recebendo relatos diários de professores e alunos passando mal por conta do calor extremo dentro das salas de aula. Isso não é apenas um problema de conforto, mas de saúde pública. O governo precisa agir com urgência, pois não há como garantir um ensino de qualidade em condições tão adversas”, afirmou Accadroll. Ele ainda destacou a importância das famílias e professores entrarem em contato com o sindicato para fazer denúncias sobre o problema.
Região
Já o coordenador regional do Sinte, João Batista Pessoa, salientou que um levantamento será feio nesta semana para detalhar a situação de cada unidade. “Dependemos desse levantamento para termos uma noção do que está acontecendo, se a escola está sendo reformada, as unidades que não possuem climatização ou que falta arrumar afiação.”
Governo alega melhorias nas unidades
A resposta do Governo Estadual, por meio da Secretaria de Educação, aponta que o Estado tem se empenhado em melhorar a infraestrutura das escolas. “Estamos avançando com as obras de reforma das instalações elétricas nas escolas estaduais. Até o momento, 342 das escolas que necessitavam de reforma na parte elétrica já estão adequadas, com o sistema de climatização em funcionamento. Nos próximos 60 dias, está prevista a entrega de mais 174 equipamentos de ar-condicionado para 23 escolas da rede estadual”, informou a Secretaria.
O governo também afirmou que, para 2025, há planos de realizar melhorias em 200 escolas, garantindo mais segurança e qualidade para os alunos e profissionais da educação.
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