Tiago Monte
Bragança Paulista/SP
A trajetória de Cláudio Tencati, no Criciúma, chegou ao fim. Após o rebaixamento para a Série B do Brasileirão e a humilhante goleada para o RB Bragantino, o treinador anunciou, em entrevista coletiva, que não seguirá no comando do time para a próxima temporada.
O, agora, ex-treinador do Tigre diz que a temporada foi muito desgastante e não terá energia para entregar o melhor dele para o clube em 30 dias. “A temporada foi muito desgastante para mim. Tive que trabalhar muito no interno, na estrutura do clube, com problema de gramado, com problema de estruturação do clube. Esse legado a gente está deixando, mas o clube não tinha. E pra Série A pesou demais. Eu não tenho energia pra, daqui 30 dias, entregar o melhor para o Criciúma. Eu preciso agora resetar, preciso de um tempo e me reorganizar. Eu preciso me reavaliar também”, comenta Tencati.
O técnico acredita que o clube demonstrou falhas grotescas e precisará avançar para evoluir. “Era muita reclamação de atleta pela estrutura do clube. O próprio gramado do CT foi uma das coisas que mais estressou a gente na temporada. Eu tenho que agradecer os jogadores porque, em grande parte da competição, eles foram fiéis com a gente. Mas, nessa reta final, eu acho que os objetivos começaram a fugir. Alguns já não tinham compromisso com o clube, começaram a pensar em algo diferente e aí vieram os resultados negativos. O time veio competindo até o Fluminense. Depois da derrota pro Corinthians, a gente realmente desandou. Então foram questões emocionais, enfraquecimento e perda de foco. Isso atrapalhou demais a nossa sequência”, explica
Más influências para o presidente do clube
Tencati ainda destacou que houve uma divisão no clube, principalmente na área administrativa. “O futebol foi enfraquecido. Muita gente da área administrativa ficou falando na cabeça do presidente (Vilmar Guedes) e isso prejudicou demais. Inclusive, o presidente deixou de ouvir algumas pessoas importantes do futebol. E, na minha opinião, isso foi determinante. Os jogadores percebem, todo mundo percebe. Então, tiveram coisas que aconteceram que foram perdendo o controle de futebol , mas paciência. Eu tenho certeza que a gente cumpriu a nossa responsabilidade”, dispara.
Tencati ressaltou que, em alguns momentos, o futebol ficou de lado no objetivo do clube. “Pessoas influenciaram o presidente com informações imprecisas e erradas. Inclusive dividindo o Juliano (Camargo) e o Éder, em relação ao presidente. Isso é fato e eles podem falar. Eu estou falando de coração aberto. Adoro o presidente Guedes, ele me ajudou demais e não estou atacando ele. Estou atacando as pessoas que estiveram à volta dele e que tiveram uma influência terrível nele. E ele (Guedes), talvez em algum momento de fragilidade, deu ouvido a essas pessoas. Poderia ter ouvido mais a gente”, enfatiza o ex-treinador do Criciúma.
O treinador preferiu não apontar culpados para o rebaixamento. “Fizemos grande parte da competição com honra, glória e disciplina. Nessa reta final, deixamos a desejar e é uma culpa de comissão técnica, jogadores e direção do clube. A gente tem que botar todo mundo na conta. Eu não vou ficar apontando dedo pra ninguém”, pontua.
Com 174 partidas no comando do Criciúma, Tencati deixa o clube na segunda posição entre os treinadores que mais dirigiram o time carvoeiro. Após a vergonhosa derrota de ontem, ele pediu desculpas aos torcedores. “Foi vergonhoso mesmo, o que a gente passou aqui hojE. E tudo o que passamos nessa reta final. Então, eu também me senti envergonhado, eu sou homem, tenho vergonha na cara, tenho família e responsabilidade. A gente se sente envergonhado”, ressalta.




