Dia da Consciência Negra: uma data de luta e reflexão

Movimentos raciais da região batalham para acabar com o racismo estrutural e buscam melhores oportunidades

Criciúma/Siderópolis
Edson Padoin
cidades@tnsul.com

O Brasil celebra pela primeira vez o Dia Nacional da Consciência Negra como feriado nacional nesta quarta-feira, dia 20, uma data que tem ganhado ainda mais significado ao longo dos anos, não apenas para a população negra, mas para toda a sociedade brasileira. Lembrado no dia da morte de Zumbi dos Palmares (20 de novembro), líder histórico do Quilombo dos Palmares e um dos maiores símbolos de resistência à escravidão, a data é um momento de reflexão, luta e celebração das contribuições afro-brasileiras para a construção do país.

O dia relembra a morte de Zumbi em 1695, assassinado após a luta incessante para garantir a liberdade dos negros escravizados e a defesa do quilombo como um símbolo de resistência. Zumbi não foi apenas um líder militar, mas também um ícone da busca por dignidade e justiça para a população negra, marcando a resistência contra um sistema opressor que perdurou por séculos. Sua morte, portanto, tornou-se um marco de memória, mas também um chamado à conscientização sobre a luta contínua contra o racismo, a discriminação e as desigualdades estruturais que ainda afetam a sociedade brasileira.

Embora a memória de Zumbi dos Palmares seja o centro da data, a Lei 10.639, de 2003, teve papel fundamental no fortalecimento dessa celebração. A lei tornou obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira nas escolas, o que não só garantiu a inclusão das contribuições culturais de africanos e afro-brasileiros nos currículos escolares, como também ajudou a combater a invisibilidade histórica a que essa população estava submetida.

Importância

O professor e pesquisador do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas da Unesc (Neabi), Douglas Vaz Franco, explica a importância desta lei no contexto educacional e cultural do Brasil. “A Lei surge justamente para corrigir a invisibilidade dos conteúdos sobre a história e cultura afro-brasileira nas escolas. Antes disso, as narrativas eram limitadas a histórias de dor e escravização, sem dar a devida atenção às contribuições culturais significativas que a população negra trouxe para o país”, destaca Vaz Franco. Ele também observa que, embora a lei tenha sido um marco, sua implementação efetiva ainda enfrenta desafios. “Ainda vemos escolas que abordam essas questões de maneira superficial, muitas vezes limitando o ensino à época do mês de novembro, sem promover uma educação contínua sobre a rica história afro-brasileira”, complementa.

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