Tiago Monte
Criciúma
Atrás da recuperação no Brasileirão, o Tricolor Carvoeiro recebe, hoje, a partir das 20 horas, o lanterna da competição. O Fluminense tem apenas sete pontos e, mesmo que vença, não deixará, nesta quarta-feira, a última posição da competição. Mesmo com o retrospecto negativo do adversário, o técnico Cláudio Tencati adverte que a partida será complicada para o Tigre. “Nos últimos três jogos, sob comando do Mano (Menezes, técnico), a gente já viu que ele está remodelando e modificando o Fluminense. Inclusive, com características de uma equipe mais competitiva, mais agressiva, em termos de marcação, e tirando alguns jogadores e colocando outros para fazer a equipe ser mais competitiva. Tem uns resquícios do (Fernando) Diniz (técnico) ainda, como a troca de passes para construção de jogo. Eles têm muito jogo apoiado, com a bola no pé. É um time perigoso, nesse sentido. Então, não esperem um jogo fácil. Será extremamente difícil. Por isso, temos que nos prepararmos muito, já disse isso aos atletas. A imagem da tabela, não vai representar o que vai ser em campo”, destaca.
Nos últimos dias, parte da torcida do Criciúma já cobrou a “obrigação” de vitória e também para que o clube não “ressuscite” ninguém, fazendo referência à posição do Tricolor Carioca na tabela. Tencati reforça que o vestiário estará “blindado” contra esse tipo de declaração. “Escutei muito que ‘o Criciúma vai ganhar e tem que ganhar’ e para não ‘ressuscitarmos ninguém’. Isso entra, às vezes, nos jogadores e a gente vai ter que blindar, porque o Inter sofreu lá, o Fortaleza ganhou com gol de bola parada, de escanteio. Então, significa que o Mano está dando redireção ao Fluminense. Unindo a qualidade do Diniz com as características dele”, ressalta Tencati.
Para o meia Fellipe Mateus, a partida contra o Cuiabá, que também era lanterna da competição e goleou o Criciúma, servirá como inspiração para a partida de hoje. “Nós encaramos sempre com muito respeito, porque sabemos como é a Série A, a qualidade dos clubes. Sabemos o que passamos com o Cuiabá, que também vinha em um momento difícil. Ainda mais o Fluminense, um clube campeão do Libertadores, recente, qualidade dos jogadores. Todo clube passa em oscilações, eles estão vivendo esse momento, mas tem excelentes jogadores, então temos que dar muita atenção e trabalhar bastante”, pontua.
Wilker Ángel deve voltar a ser titular
De volta, após disputar a Copa América, pela Seleção da Venezuela, o zagueiro Wilker Ángel deve ser titular na partida de hoje. Ele treinou, normalmente, com bola, ontem e deve atuar. Tobias Figueiredo está recuperado de lesão no adutor da coxa e também fica à disposição.
O lateral direito Jonathan segue fora por mais uma semana. Felipe Vizeu só deve retornar contra o Corinthians. Já Fellipe Mateus deve reassumir a vaga entre os titulares. No ataque, Allano ficará à disposição
Um completa o outro, com afinidade e fidelidade
Hoje, a comissão técnica carvoeira completa 150 jogos à frente da equipe. Tencati e o auxiliar Aléssio Antunes definem o trabalho como complemento, afinidade e fidelidade. “O Aléssio é um cara mais calmo e contém a minha explosão e é extremamente fiel ao trabalho e aos processos. Tem auxiliar que vai para o microfone e fala o que não deve. Não é o caso do Aléssio, a gente se completa”, pontua.
Com trabalhos que prezam pelo longo tempo de duração, Tencati ainda não consegue definir a “pirâmide da longevidade”. “Essa pirâmide da longevidade, eu ainda não consegui definir. Ainda estou trabalhando. Li um livro do John Wood, que é um treinador norte-americano de basquete, e ele criou a pirâmide do sucesso nas equipes que ele dirigiu. Eu estou buscando decifrar a pirâmide da longevidade, mas o alicerce dela é a confiança. E isso só se consegue com resultados. Você chegar em um clube e impactar com resultados, a curto prazo, é importante”, destaca.
Tencati ressalta que é importante respeitar a cultura da cidade e também o clube. “Existem as afinidades internas, os entendimentos, a metodologia e a filosofia de trabalho. Você tem que ser muito resiliente e flexível. Você vai ter que ouvir, falar e se adaptar. Ao mesmo tempo, respeitar a cultura da cidade e clube. Colocar as suas ideias aos poucos. O grande ‘pulo do gato’ é a gestão de elenco. É um trabalho árduo de manter os atletas alinhados ao nosso pensamento e nossas decisões. E tudo em conjunto”, comenta.
A noite que não acabou e o jogo “entalado”
Entre os 149 jogos em que esteve à frente do Criciúma, um deles marcou mais o treinador. “Tem um jogo que passei a noite comemorando, tomando vinho e até mandei mensagem para os amigos, quando estava fazendo churrasco, de madrugada: o jogo do acesso. Foi a partida do êxtase e da realização do sonho: pisar na Série A. Não dormi a noite inteira”, lembra Tencati.
Por outro lado, a goleada sofrida para o Cuiabá, no Brasileirão deste ano, deixou o treinador com insônia. “Um dos piores jogos que passamos, em nível de resultado, não há duvida, foi contra o Cuiabá. Nunca, na minha carreira, tivemos um placar tão elástico, em um jogo tão doido na alma. O jogo do Cuiabá me tirou o sono: pela sequência dos resultados e desempenho”, pontua.
Tencati diz que a “missão” de comandar o Criciúma não é simples.“Fácil, é? Não, não é fácil. Principalmente, em um clube exigente e que tem tradição. Um clube acostumado a vencer e com histórico vencedor, você passar por esse processo, que a gente passou, e conquistar o que conseguimos, é uma gratidão enorme”, comenta. Mesmo assim, o treinador não se impressionou tanto com a exigência da Série A. “Nada absurdo, frente ao que já fazíamos no Criciúma, na Série B. Hoje, estamos mais confiantes, em função disso, e estamos vendo que a competição é difícil, mas não é um ‘bicho de sete cabeças’. A gente pode permanecer nela e ir mais longe. Isso nos fortalece”, ressalta.
Na terceira colocação entre os técnicos com mais jogos pelo Criciúma, Tencati acredita que é complicado alcançar o primeiro colocado: Luiz Gonzaga Milioli, que tem 232 partidas no comando do clube. “Os profissionais, como ele, só engrandecem o clube. O Lori Sandri também trabalhou aqui. O Cuca também, assim como o Felipão. Levir Culpi é outro grande nome e ficamos felizes em estar junto com esses nomes. Bater o recorde do Gonzaga é extremamente difícil, acredito que não, mas, se ocorrer, que as portas se mantenham abertas”, finaliza.
Campeonato Brasileiro – Série A – 16ª Rodada
11/07 (quinta-feira) – 20 horas – estádio Heriberto Hülse, em Criciúma
CRICIÚMA
Gustavo; Claudinho, Rodrigo, Wilker Ángel e Marcelo Hermes; Barreto, Ronald, Fellipe Mateus e Matheusinho; Bolasie e Éder (Arthur Caíke). Técnico: Cláudio Tencati
FLUMINENSE
Fábio; Samuel Xavier, Antônio Carlos, Thiago Santos e Diogo Barbosa; André, Martinelli, Alexsander e Ganso; Marquinhos (Keno) e John Kennedy. Técnico: Mano Menezes
Arbitragem: Anderson Daronco (RS); Auxiliares: Fabrício Vilarinho da Silva (GO) e Tiago Augusto Kappel Diel (RS); VAR: Gilberto Rodrigues Castro Júnior (PE); AVAR: Herman Brumel Vani (SP) e Thiago Duarte Peixoto (SP)




