Criciúma
Edson Padoin
cidades@tnsul.com
A espera por cirurgias de média e alta complexidade tem se tornado um problema para muitos pacientes da região Sul. Problemas relacionados à falta de fluidez no encaminhamento entre diferentes etapas do sistema de saúde estadual têm deixado milhares de pessoas na fila, impactando diretamente a qualidade de vida e o bem-estar dos indivíduos que aguardam ansiosamente pelo atendimento.
De acordo com o secretário de Saúde de Criciúma, Deivid de Freitas Floriano, o processo começa com consultas básicas municipais, onde os pacientes são encaminhados para especialistas que, por sua vez, avaliam a necessidade de cirurgia. No entanto, o gargalo ocorre no momento em que os pacientes chegam à etapa estadual para procedimentos cirúrgicos, encontrando-se muitas vezes obrigados a refazer exames devido à validade expirada pela demora no atendimento.
“A maior demanda é na alta complexidade, especialmente em especialidades como ortopedia, com destaque para cirurgias de coluna e joelho”, destacou o secretário. Ele também ressaltou que mais de cinco mil pessoas aguardam por uma consulta ambulatorial para avaliação cirúrgica, sendo essa de responsabilidade do Estado. Alguns pacientes esperam desde 2019, exacerbando as dificuldades enfrentadas.
“Existem mais de cinco mil pessoas na fila aguardando pela consulta ambulatorial, que é uma consulta para avaliação cirúrgica e pedido de cirurgia. A maior demanda é a ortopedia, mas também temos outros pacientes que estão na fila para outras especialidades. O município faz a consulta especializada, os exames e depois o paciente aguarda para a consulta de alta complexidade que, caso demore para ser realizada, é provável que a pessoa terá que refazer os exames por conta da validade”, detalhou.
SOBRECARGA
A situação evidencia um desafio estrutural no sistema de saúde, onde o fluxo de encaminhamentos entre atenção básica (municipal) e atenção especializada (estadual) nem sempre ocorre de forma fluida. Isso resulta não apenas em atrasos significativos para os pacientes, mas também em uma sobrecarga para a rede municipal de saúde, que precisa lidar com a reincidência de exames e consultas.
“Essa situação acaba sobrecarregando a rede municipal como um todo, até porque o paciente fica na fila aguardando e é necessário refazer esses exames. O mais prejudicado acaba sendo o paciente. Temos moradores desde 2019 nessa fila, principalmente para consultas de alta complexidade que são feitas pelo Estado. Essas consultas geram os laudos para os pacientes fazerem a cirurgia”, salientou.
Em busca de uma solução
Para diminuir a fila, o Governo Municipal segue em contato constante com a Secretaria de Estado da Saúde. “A rede municipal está constantemente em contato com o governo estadual para tentar mitigar essa fila. Não só o município, mas toda a região, já que o fluxo de cirurgia e de atendimento é relacionado à região. O Estado tenta fazer o seu papel, mas, por vezes, a gente ainda encontra essas barreiras”, disse o secretário.
No entanto, a interação entre os diferentes níveis de atenção à saúde, conforme delineado pela Lei do SUS, revela desafios persistentes na gestão integrada das demandas.
“Todos os municípios, pela lei do SUS, são responsáveis principalmente pela atenção básica, ou seja, unidades básicas de saúde. A partir do momento em que a gente fala de atenção secundária já seria o estado. Apesar disso, o município ainda arca também com muitas coisas para não encaminhar a demanda para o estado. Atualmente, o Governo Municipal disponibiliza atendimento para mais de 35 especialidades médicas”, completou Floriano.
SEM RESPOSTA
A reportagem buscou posicionamento da Secretaria de Estado da Saúde (SES), mas até o fechamento desta edição não obteve resposta sobre as medidas planejadas para melhorar a fluidez no sistema de encaminhamento e reduzir o tempo de espera dos pacientes.
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