Aumento no número de moradores de rua gera preocupação em Içara

Governo Municipal estima que entre oito e dez pessoas estão nesta situação de forma fixa na cidade

Içara
Edson Padoin
cidades@tnsul.com

Nos últimos meses, comerciantes de Içara têm levantado preocupações sobre o aumento no número de moradores de rua na cidade, afetando não apenas o ambiente comercial, mas também a segurança e o bem-estar da comunidade. O Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) tem sido uma das ferramentas utilizadas pelo município para tentar resolver o problema.

Conforme um comerciante que preferiu não se identificar, nos últimos meses, o número de andarilhos no Centro da cidade cresceu. “É muito comum encontrar moradores de rua no município. Estamos em contato com a prefeitura para tentar resolver esse problema e ajudar essas pessoas”, conta.

De acordo com a coordenadora do Creas de Içara, Daniela Militão, o município enfrenta desafios significativos em lidar com pessoas em situação de rua. “Estimamos que atualmente haja cerca de oito moradores de rua que mantêm uma rotina na cidade. No entanto, muitos deles transitam frequentemente para outras localidades”, explica Daniela. Além desses moradores fixos, o Creas registra uma média mensal de 25 a 30 pessoas em situação de rua, que passam pela cidade temporariamente, muitas vezes em busca de trabalho ou assistência.

DEPENDÊNCIA

Um dos principais motivos apontados para essa realidade é o conflito familiar e a dependência química. “Muitas pessoas que encontramos nas ruas de Içara estão nessa condição devido a conflitos familiares agravados pela dependência química. É um ciclo difícil de quebrar”, relata Daniela. O Creas tem trabalhado ativamente para oferecer suporte, seja na forma de tratamento para dependência química, encaminhamento para familiares ou assistência para reintegração social.

Embora Içara seja atravessada pela BR-101 e seja frequentada por muitos migrantes temporários, o município ainda não possui um projeto para construir uma casa de passagem. “Nossa abordagem se concentra em conscientizar a população sobre os serviços que oferecemos no Creas. A ideia é que, ao invés de dar esmolas, as pessoas direcionam aqueles em situação de rua até nós para que possamos oferecer suporte adequado. No momento, o município não tem nenhum projeto para viabilizar a construção de uma casa de passagem”, destaca Daniela.

Intervenção social ativa e desafios

O serviço de abordagem social do Creas desempenha um papel crucial na identificação e no suporte às pessoas em situação de rua. “Nossos educadores sociais fazem patrulhamento diário pela cidade, respondendo a denúncias da comunidade e tentando trazer os indivíduos para nossos cuidados”, diz a coordenadora. Para aqueles que desejam retornar às suas cidades de origem, o Creas facilita o contato com familiares e o planejamento do retorno, visando sempre a reintegração efetiva.

“Caso nós identificarmos um morador de rua que possui a necessidade de um tratamento de dependência química, vamos encaminhar ele para outro setor que vai estar fazendo esses procedimentos de tratamento. Já outras pessoas falam que gostariam de retornar para a sua cidade de origem, mas para essa pessoa retornar, o Creas não vai simplesmente emitir uma passagem. Primeiro buscamos fazer um contato com um familiar ou com o próprio Creas do município indicado. Não damos benefícios pensando em querer que a pessoa siga viagem, queremos que ela reflita sobre a condição de vida em que está”, detalha.

No entanto, o desafio persiste. “Precisamos que a população saiba que existe o Creas. No ano passado realizamos um evento com material informativo com a campanha: ´Quer ajudar? Não dê esmola, encaminhe ao Creas´. A gente continua ainda sensibilizando a população para que ela tenha conhecimento do serviço público que a Prefeitura de Içara oferece, como o serviço de abordagem social que fica no Creas. A partir do momento que a população tiver esse conhecimento, vão saber para onde encaminhar a pessoa em situação de rua.”

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