Urussanga/Morro da Fumaça/Criciúma
Alexandra Cavaler
cidades@tnsul.com
A adoção é um ato de amor e generosidade, onde uma pessoa ou um casal decide assumir a responsabilidade de cuidar e criar uma criança. Muitas vezes, a adoção oferece a oportunidade de proporcionar um lar amoroso para uma criança que, de outra forma, poderia não ter essa oportunidade. É um processo significativo que pode trazer muita alegria e realização para todos os envolvidos. Afinal, a adoção é um ato lindo que pode mudar vidas para sempre.
Espera sem fim
E é esse o sentimento relatado pelo casal Ederson e Daiani, da Comarca de Urussanga, que por dez anos estiveram na fila de espera e, agora, estão com a pequena Serena nos braços. “Há mais de dez anos, em dezembro de 2013, após uma tentativa frustrada de uma fertilização em vitro e com os corações dilacerados, conversamos muito, eu e meu marido, e decidimos ir ao fórum de Urussanga nos informar de como se dava o processo de adoção e o que seria necessário. Imediatamente demos início aos papéis, na época fomos fazer o curso de adoção em Tubarão, pois não tinha previsão de uma turma em Urussanga. Foram visitas na nossa casa, passamos por psicólogas, assistentes sociais, entre outros profissionais. O tempo foi passando e a angustiante espera estava resumida em atualização cadastral”.
A mãe de Serena também revela que o perfil buscado pelo casal era de crianças de 0 até 3 anos. “Os anos foram passando e novamente fomos chamados para atualizar o cadastro. Então, em conversa com meu esposo, passamos o cadastro para 5 anos, pois, quem sabe, assim seria mais rápido e teríamos mais chances. Mas ainda assim a angústia permanecia, ano após ano, nenhuma ligação, nenhuma visita do fórum e as pessoas sempre nos questionando. Até que comecei a falar que estava com vontade de sair da fila. Lembro que num dia, falei para minha mãe que depois do meu aniversário eu iria sair, pois já estava muito tempo esperando. Ela muito triste me respondeu que eu sabia o que era melhor. Nessa mesma época passei a pedir que as pessoas não tocassem mais no assunto e passamos a focar em outras coisas. Mas lá no fundo dos nossos corações ainda restava esperança”, relata Daiani emocionada.
A notícia da chegada de Serena
Um certo dia, já sem muito esperar, Daiani conta que recebeu uma ligação de um número desconhecido, mas acabou não atendendo. “Sai do trabalho, fui para a academia e recebi uma mensagem pelo WhatsApp dizendo que já haviam falado com o meu esposo e avisado a ele que tinha chego a nossa vez. Uma criança nos esperava. Não consegui comer, fiquei em estado de choque, o chão se abriu, o coração disparou. Até que meu esposo chegou em casa. Choramos e conversamos por horas. Aquilo que parecia impossível, estava chegando. Sentimos alegria, medo, insegurança, um misto de sentimentos, mas em seguida marcamos uma conversa com a assistente social que nos relatou sobre a criança. E nós nos perguntávamos: e agora?”.

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