Nova família de bugios é vista na fauna criciumense

O monitoramento é feito pelo Faunativa, que já observou 22 espécies de mamíferos na região

Criciúma
Alexandra Cavaler
cidades@tnsul.com

Um estudo realizado dentro do projeto Faunativa, desde 2019, em Criciúma, utiliza um contínuo florestal, que abrange áreas rurais e urbanas de Criciúma, Morro da Fumaça, Siderópolis e Cocal do Sul. A pesquisa é desenvolvida pelo biólogo criciumense, Vitor Bastos, e tem como objetivo identificar mamíferos de médio e grande porte no Sul de Santa Catarina, muitos deles considerados extintos. Desta vez, quem posou para as lentes da câmera-trap (armadilhas fotográficas) foi um grupo de bugios, no qual uma mãe foi vista com seu filhote nas costas.

De acordo com o biólogo, os bugios são uns dos mamíferos mais ameaçados do Brasil, por motivos como a caça e o desmatamento das áreas de mata nativa. Mas a maior de todas as ameaças está dentro da última década com o avanço da febre amarela. “Os bugios morreram, literalmente milhares deles, ao longo de todo o litoral, e aqui na nossa região, só em 2018 foram achados 14 mortos (Morro da Fumaça, Cocal do Sul e Urussanga). Sendo que provavelmente muitos outros morreram dentro das matas por causa da mesma doença e nunca foram achados pelos agentes da saúde”, explicou Bastos.

Reaparecimento

O profissional ainda revela que em Criciúma esses animais ficaram sumidos por anos, voltando a ter registros entre 2014 e 2021, mas em quantidade bem pequena: foram três registros de indivíduos machos solitários. “Já no final de 2021 achei uma família de sete indivíduos, e desde então registrei eles em algumas poucas ocasiões. Agora, mesmo que ainda em número não expressivo, no dia 3 de fevereiro flagrei outro grupo, com pelo menos oito indivíduos, e até um filhote nas costas de uma mãe. Na cidade, pelos meus registros são apenas 17 indivíduos desta espécie. São dois grupos e alguns solitários”, revelou Bastos.

Veado-catingueiro foi visto em 2023

Em outubro de 2023, um animal em extinção foi visto pelas armadilhas fotográficas, cuidadosamente, preparadas por Vitor. Estamos falando do veado-catingueiro. “Esse registro foi o primeiro em Criciúma e até agora não foram avistados outros da mesma espécie. Nunca tivemos registros de pegada ou de atropelamento. Esse flagra foi muito bacana, principalmente por se tratar de uma espécie que está em extinção em Santa Catarina. Acredito que tenha vindo do costão da serra e que tenha usado os trajetos que ainda tem matas, corredores florestais, para chegar nessa região, possivelmente é um macho é pertence a uma das quatro espécies de veados encontradas no estado. Aqui no Sul, temos três delas”, explicou. Após o encontro do veado-catingueiro, o biólogo revela que também foi filmado o tatu-de-rabo-mole, que está incluso lista das três espécies mais raras de Criciúma, e a Irara Leucistica.

O tatu-de-rabo-mole está na lista das três espécies mais raras de Criciúma – Foto: Divulgação

Outras espécies foram flagradas

Mais espécies foram identificadas desde o início das pesquisas: cachorro do mato, capivara, gambá-de-orelha-branca, gambá-de-orelha-preta, irara, quati, furão-pequeno, tatu-galinha, gato-maracajá, e tatu-de-rabo-mole. As câmeras são acionadas por movimento e instaladas em locais estratégicos dentro da mata nativa. Estes pontos são previamente analisados por imagens de satélite para garantir melhores resultados. Já as espécies vistas ao vivo pelo biólogo foram ouriço-cacheiro, tamanduá-mirim, lebre e ratão-do-banhado. E, por populares: jaguarundi e macaco-prego.

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