Criciúma
Tiago Monte
esporte@tnsul.com
Se o desafio de jogar futebol profissionalmente, no Brasil, para os homens, já é complicado, imagine para as mulheres! Diariamente, muitos meninos abandonam o sonho de serem jogadores. E o número de meninas é ainda maior. Os obstáculos são inúmeros para a criciumense Adélia Bristot. Aos 24 anos, ela atuou no time de futebol feminino do Criciúma, durante boa parte do ano passado, mas o futuro é incerto. E, como as contas continuam chegando, ela precisa conciliar outras atividades profissionais para ter remuneração e subsistência. “No momento, para ser sincera, não sei como as coisas estão para esta temporada. Eu não sei se eu vou conseguir continuar no time, tanto por questões de calendário, porque a gente não sabe quais competições vão ter para o time adulto, e também porque eu vou ver como isso vai se encaixar na minha vida. Justamente pelas questões financeiras”, desabafa.
Conciliação
Para manter o sonho vivo de ser jogadora, Adélia concilia o esporte com outras atividades profissionais. “Quando eu estava no Criciúma, ano passado, comecei a dar aulas de inglês, porque algumas meninas recebem auxílio, outras não. Como eu cheguei no meio da temporada, não estava encaixada em nenhuma dessas situações e precisava fazer uma renda por fora. Então, comecei a dar aulas de inglês. Dou aula particular e também em uma escola em Criciúma”, comenta.
As aulas de inglês não são as únicas atividades da atleta. “Faço edição de vídeos para redes sociais. Mas hoje eu também trabalho com uma pessoa, em específico, que eu cuido de algumas redes sociais, então tenho um trabalho mais fixo sobre edição de vídeo. O inglês é o que eu faço de principal, porque eu trouxe dos Estados Unidos. Fiquei três anos lá, trabalhei com a língua em um Centro de Escrita e ajudava os próprios alunos de lá a fazerem os trabalhos deles, em inglês. Criei experiência nesse lado educacional do inglês”, lembra.

Sonho começou logo nos primeiros anos
Adélia não sabe dizer quando começou a paixão pelo futebol, mas lembra que foi nos primeiros anos de vida. “A minha história com o futebol começou dentro de casa. Eu não consigo nem dizer ao certo quando, mas desde que eu nasci, já estava com a bola no pé. Lá em casa, tinha um quintalzinho, onde eu gostava de jogar. E sempre brinquei com os meus primos, da minha idade, na época, e outros amigos da escolinha. Então, desde pequena, eu lembro de estar praticando futebol”, comenta.
Junto veio o sonho de viver do futebol. A tradicional pergunta: “O que você quer ser quando crescer?”, sempre teve uma resposta pronta. “A minha resposta, nunca foi diferente. Sempre foi: ‘ser jogadora’. É um amor que vem desde pequena”, pontua.
Escolinha
Quando ela tinha por volta de cinco anos começou a frequentar a Escolinha do Valdomiro, onde foi muito bem recebida. “Eu lembro de ir vestida com o uniforme do Criciúma, pronta para jogar, e o Valdomiro nos recebeu super bem. Ele me acolheu como se eu fosse qualquer outro jogador e até mais do que isso: sempre valorizou o fato de eu ser menina. Fez questão de me tratar bem. Inclusive, tinha um vestiário feminino e um masculino, então, ficavam todos os meninos no masculino e só eu no feminino. Ele sempre fez questão de, realmente, me trazer um ambiente de desenvolvimento. E foi lá que eu aprendi tudo sobre futebol. A minha técnica, hoje, fala: ‘dá para ver que tu jogas desde criança’. Isso porque foi lá que eu tive toda essa base e consegui aprender o que era futebol de fato”, conta.
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