Araranguá
Edson Padoin
cidades@tnsul.com
Há anos, os moradores de Araranguá, especialmente aqueles das comunidades de Hercílio Luz e Ilhas, aguardam ansiosamente pela conclusão das obras da ponte que ligará o Morro dos Conventos ao distrito de Hercílio Luz, em Araranguá. A estrutura, que também interligará o Morro dos Conventos a Balneário Ilhas, Barra Velha e Içara, promete facilitar a mobilidade na região, eliminando a dependência das balsas para a transposição do rio Araranguá.
Recentemente, a questão ganhou destaque novamente quando o prefeito César Cesa, acompanhado de seu secretário de Administração Rony da Silva, o chefe de Gabinete Sandro Ramos, e os deputados estaduais Tiago Zilli e Volnei Weber, reuniram-se com o governador Jorginho Mello para discutir o assunto. Apesar de uma atmosfera amistosa durante a reunião, ficou estabelecido que ações concretas só serão tomadas após uma nova rodada de conversações, programada para fevereiro.
Protesto
As obras da ponte estão paralisadas desde 2022, deixando os moradores das comunidades adjacentes em uma situação precária. Nos últimos dias, um protesto foi realizado próximo ao local onde foi iniciada a construção da estrutura. Viviane dos Passos Machado de Souza, professora e moradora da comunidade Hercílio Luz, expressou a urgência da retomada. “Os benefícios que a ponte vai trazer aqui para o nosso distrito são incontáveis. Temos nove comunidades que dependem dessa ligação. Ela vai beneficiar muito a saúde, a educação, a agricultura e o comércio local, além de facilitar o acesso dos turistas”, detalhou.
Segundo Viviane, quando algum morador da região precisa ir ao hospital e a balsa não está em operação é necessário realizar um caminho muito maior. “A ponte vai beneficiar muito a saúde, porque quando precisamos ir até ao hospital, a gente depende da balsa para chegar até lá. Então, muitas vezes chegamos no local da travessia e a balsa está em manutenção. Com isso, temos que dar essa volta por Maracajá pela BR-101 e pagando pedágio. A mesma coisa acontece na educação. Os profissionais precisam trabalhar nas escolas aqui ou ir daqui para o Centro da cidade. Na agricultura, a mesma coisa, porque o agricultor planta, depois precisa vender o seu alimento e acaba tendo que transportar, mas fica difícil sem a ponte”, explicou.
“Foi o nosso dinheiro que foi investido”
Um morador da comunidade de Balneário Ilhas, que preferiu não se identificar, compartilhou a frustração dos moradores. “É realmente muito triste essa situação que estamos vivendo. A gente batalhou tanto para que a obra fosse feita e quando começou ela parou logo em seguida. Hoje a gente vai no local e o pouco que foi construído está tudo abandonado, enferrujado e talvez tenha que ser refeito. Foi o nosso dinheiro que foi investido nesta obra, mas até agora ela não foi finalizada. O pior disso é que não temos nenhuma sinalização de quando vai voltar”, completou.
Balsa
O morador ainda ressaltou que a dependência da balsa para realizar a travessia do rio gera incerteza. “Enquanto ela [ponte] não é finalizada, os moradores dependem da balsa, que não está em boas condições. E quando o tempo não colabora a balsa para de funcionar. E como que a gente fica? Tempos que dar uma volta muito maior do que se a ponte existisse. É realmente frustrante ver algo que começou e hoje está abandonado”, frisou.
Entenda a situação
As obras da ponte encontram-se paralisadas desde 2022. A estrutura, que também interligará o Morro dos Conventos a Balneário Ilhas, Barra Velha e Içara, visa facilitar a mobilidade na região, permitindo a transposição do rio Araranguá sem a necessidade de balsas.
O investimento para a construção da ponte é realizado por meio de um convênio entre o Governo do Estado e a Prefeitura de Araranguá. Em 2021, a administração estadual repassou ao município um total de R$15,8 milhões, com uma contrapartida de aproximadamente R$2,7 milhões. A licitação foi realizada no final de 2020, e a obra teve início efetivo em setembro de 2021.
Reivindicação
A construção da ponte é uma antiga reivindicação na região da Associação dos Municípios do Extremo Sul Catarinense (Amesc). De acordo com o procurador-geral de Araranguá, Daniel Menezes, a rescisão do contrato com a empresa Trilha Engenharia foi amigável devido a problemas técnicos na licitação realizada na gestão anterior. A expectativa é que a retomada efetiva da obra aconteça nos próximos meses, impulsionando o desenvolvimento da região.
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