Lideranças criticam a falta de união dos prefeitos da Amrec

Representantes da Acic, Forcri e Fecam pregam que Executivos devem buscar um entendimento e voltarem a trabalhar todos juntos em prol do desenvolvimento da região. Interesses individuais não podem atrapalhar o bem comum

Criciúma
José Adílio
politica@tnsul.com

A eleição para a escolha do novo presidente da Associação dos Municípios da Região Carbonífera (Amrec) está marcada para amanhã, às 9h, na sede da Amrec. Pelo acordo inicial do mandato em 2021, a presidência seria exercida pela divisão dos partidos, ficando o PSDB para comandar a associação neste ano de 2024. O MDB foi presidente em 2021, o PSD em 2022 e o PP em 2023. Porém houve um desvio de percurso em janeiro de 2023, quando os prefeitos acabaram discordando de ações tomadas pelo atual presidente Noi Coral, prefeito de Morro da Fumaça.

O imbróglio terminou com cinco prefeituras dissidentes, parando de pagar as mensalidades e também não participando mais das ações desenvolvidas pelos sete prefeitos que permaneceram trabalhando em prol da Amrec. Na Assembleia Ordinária que será realizada amanhã, existe a possibilidade de os dissidentes voltarem a participar da associação, porém com uma imposição. Do acordo firmado em 2021 ser cumprido e o prefeito Rogério Frigo (PSDB) de Nova Veneza ser escolhido como novo presidente.

Dissidentes

Pelo abandono dos cinco prefeitos e sem a participação deles nas ações desenvolvidas em 2023, a Amrec passou por muitas dificuldades, não conseguindo os recursos necessários para o desenvolvimento dos projetos programados. Desta forma, os setes prefeitos que permaneceram não concordam em manter o acordo, com exceção do prefeito do Treviso Valério Moretti (MDB), e uma chapa será lançada pelo grupo para a escolha da nova diretoria.

Dois nomes foram levantados como possíveis candidatos. Uma com o prefeito de Orleans Jorge Koch, caso os dissidentes participem da Assembleia e lancem candidato ou o prefeito de Urussanga Luís Gustavo Cancelier, se os dissidentes não apresentarem chapa. O mistério somente será desvendado com a realização da Assembleia Ordinária.

Entidades monitoram a crise na associação

As desavenças e desunião dos prefeitos da Amrec tem sido acompanhada por diversos setores da sociedade, que não compactuam com a divisão do grupo, por consideram prejudicial para o desenvolvimento da região. Todas as lideranças ouvidas pela reportagem do Jornal Tribuna de Notícias convergem para o mesmo caminho. A união dos prefeitos e todos trabalharem unidos para o bem da Amrec.

O presidente do Fórum de Entidades de Criciúma (Forcri), Adriano Klafke, entende que o bem da comunidade e da região está acima de interesses individuais. “É obrigação dos prefeitos terem esta organização para a região e a Forcri torce para que tenha este bom relacionamento e se chegue a um acordo. Com certeza somos parceiros com o nosso trabalho voluntário para o bem da Amrec”, pontua Adriano Klafke.

A presidente da Federação de Consórcios, Associações de Municípios e Municípios de Santa Catarina (Fecam), prefeita de Vargem, Milena Lopes, aponta que a Amrec é uma associação de extrema importância, não só para os municípios que a compõem, mas também para o desenvolvimento da região. Para ela, a união dos municípios dentro da associação fortalece, dá força política, dá força técnica para que os problemas sejam solucionados de forma conjunta e também traga desenvolvimento para as cidades e a região.

Recomposição

“Nós esperamos de fato que a associação seja recomposta por todos os seus integrantes e a Fecam se coloca à disposição para todos os prefeitos e prefeitas para o apoio técnico e aquilo que for preciso dentro da Federação”, fala a presidente da Fecam.
A deputada Geovania de Sá é favorável para que os prefeitos voltem a trabalhar todos juntos em prol da região, independente da sigla política e dos interesses individuais. “Queremos a união de todos para o desenvolvimento da região. Consenso é o melhor para todos”, destaca a deputada.

Acic está à disposição para a reconciliação

O presidente da Associação Empresarial de Criciúma (Acic) Valcir José Zanette coloca que outro dia estava conversando com alguns prefeitos e disse que a Acic prega sempre a união entre as forças como a iniciativa privada, pública e academia e não é diferente a união entre os prefeitos da Amrec. “Nós temos que trabalhar em conjunto em favor do desenvolvimento da região Sul. Então isso nós já expressamos a eles, que tem que fazer todo um esforço para trabalhar em conjunto e nós acreditamos que todos vão perder com esta desunião”, saliente o presidente da Acic.

Ele acredita que irá haver o entendimento entre os prefeitos. “É nesta direção, que inclusive nos colocamos à disposição, para fazer alguma coisa. Se a Acic puder contribuir de alguma forma nos colocamos à disposição. Então acreditamos que tem que haver este entendimento e haverá este entendimento”, acredita.

Projetos

“Nós temos falado, dito e repetido, que existe a necessidade de um trabalho conjunto em favor do desenvolvimento do Sul de Santa Catarina. Tem obras de infraestrutura, rodovias que estamos trabalhando, como a extensão da Via Rápida até o Balneário Rincão. Temos uma série de projetos que é comum do interesse de todos. Se juntos já encontramos algumas dificuldades, imagina divididos”, conclui Valcir José Zanette.

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