Criciúma
Edson Padoin
O Governo Federal anunciou ontem o novo valor do salário mínimo que entrará em vigor a partir de 1º de janeiro de 2024. Com um aumento significativo de 6,97%, o salário mínimo passará de R$ 1.320 para R$ 1.412. A decisão foi baseada nas diretrizes do Grupo de Trabalho de Valorização do Salário Mínimo, criado em fevereiro pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, por meio do Decreto 11.420/23. O novo valor inclui a inflação em 12 meses (até novembro) de 3,85% e mais três pontos percentuais (ganho real) relativos à expansão do PIB em 2022.
O reajuste, anunciado pelo ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, na semana passada, representa uma mudança após quatro anos sem aumento real e dois anos apenas com reposição inflacionária. A medida foi aprovada em agosto pelo Congresso Nacional, após ser incluída na lei orçamentária para 2024, que foi aprovada pelo parlamento no dia 22 de dezembro.
Segundo as diretrizes do Grupo de Trabalho, o cálculo para o reajuste considera a variação da inflação do ano anterior, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), e o crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) dos dois anos anteriores. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou ontem o decreto que oficializa o aumento, destacando a importância de garantir o poder de compra da população.
Perspectivas econômicas positivas
O doutor em economia, Alcides Goularti Filho, analisou o contexto do aumento do salário mínimo e as perspectivas econômicas para 2024. Filho ressaltou que, após quatro anos sem aumento real e dois anos apenas com reposição inflacionária, o país experimentou um aumento real em 2023. Ele destacou que, ao contrário do período anterior, o salário mínimo agora terá um ganho real previsto, considerando o crescimento do PIB.
O economista enfatizou que a previsão de crescimento do PIB para 2023 é otimista, com uma expectativa em torno de 2,92% a 3%. Ele destacou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) está dentro da meta, acumulando 3,14% nos últimos 12 meses. Goularti Filho também ressaltou a estabilidade econômica, com a bolsa em alta, o dólar em queda e a taxa Selic apresentando redução.
“A economia está em uma trajetória de crescimento e com estabilidade de preços. Estamos fechando o ano com a bolsa muito bem, o dólar caindo e a Selic caindo. A expectativa de crescimento é em torno dos 3%, que já era projetado há seis meses”, explicou.
Sobre a relação entre salário e inflação, o economista argumentou que essa ideia não é universalmente aceita entre os economistas. Filho enfatizou que a economia é uma ciência política, com diferentes perspectivas teóricas e ideológicas. Na sua visão, o aumento do salário mínimo não necessariamente está atrelado à inflação, e a atual valorização salarial representa uma reparação de perdas reais históricas.
O economista destacou que as expectativas de crescimento econômico, estabilidade e confiança na política econômica são fundamentais para o desenvolvimento positivo da economia brasileira. Ele completou indicando que a economia brasileira está em um patamar mais elevado, com recuperação de reservas, ganhos na bolsa e estabilidade cambial, além da projeção de um equilíbrio fiscal nos próximos anos.
“Depois de sete anos de instabilidade fiscal e déficit fiscal gigantesco, retomamos uma trajetória de estabilidade. Este ano vai fechar dentro do previsto com déficit, mas projetando estabilidade fiscal para os próximos anos”.
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