Cocal do Sul
Alexandra Cavaler
cidades@tnsul.com
Após o assunto sobre a possível venda do casarão, antigo seminário de Cocal do Sul, tomar conta da cidade, um grupo de pessoas se reuniu e buscou respostas junto à Diocese de Criciúma e à Paróquia Nossa Senhora da Natividade. Por 60 dias, um grupo de moradores aguardou o retorno que não veio. Isso ocorreu em dezembro de 2022 e, desde então, a comunidade se mantém atenta e unida no propósito de tornar o espaço patrimônio histórico da cidade por meio de tombamento.
Neste contexto, as pessoas que estão à frente do processo, reuniram documentos, imagens fotográficas e um abaixo-assinado com a participação de mais de 5 mil pessoas. “Com todos os documentos em mãos, fizemos uma visita ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e solicitamos o tombamento deste casarão, que foi o primeiro convento de freiras, primeira casa paroquial, depois abrigou serviços públicos, como a Fundação de Meio Ambiente e o museu da cidade. Mas há oito anos a casa está abandonada e nós, da comunidade, ficamos sabendo da intenção de venda, ou melhor, que já haveria um contrato de compra e venda. Tentamos buscar respostas junto à igreja, mas não obtivemos retorno. Preocupados com a situação, nos mobilizamos na tentativa de preservar esse patrimônio cultural da cidade”, explicou o representante da comunidade, José Aldo Furlan, em visita à redação do Tribuna de Notícias.
Bochicho
Ele também conta que, na procura pela veracidade do bochicho que rodava na cidade, foi enviado ofício ao pároco, ao presidente do Conselho de Assuntos Econômicos da Paróquia (Caep) e ao bispo da Diocese, mas não obtiveram resposta. “E foi aí que começou o abaixo-assinado, que encontrou apoio da população e tem como objetivo a preservação de nossa história, de nossa cultura. Depois disso, recorremos ao Ministério Público, que nos orientou a procurar o Iphan; que mandou um despacho para a Promotoria. E para a nossa alegria, no dia 21 de novembro passado, o MP, por meio da 3ª Promotoria de Justiça da Comarca de Urussanga, enviou recomendação à Diocese para que nada seja feito com o casarão, uma vez que está sob análise a possibilidade de tombamento do mesmo”, enfatizou Furlan, agradecendo a comunidade que abraçou a causa. “Acredito que pelas mãos de Deus isso aconteceu porque nós estamos querendo manter aquilo que Deus plantou em Cocal”.

Ecônomo da Diocese responde
Por meio do ecônomo, a Diocese afirma que a suposta venda do casarão não tem procedência. “Sobre a questão da venda do casarão: primeiro que não tem ninguém vendendo o casarão; segundo, nós temos o terreno, que é da igreja, e a igreja pode dispor para ele o foco como ela quiser. Porém, o terreno não está à venda, ninguém disse que está à venda, não tem ninguém negociando, não tem ninguém fazendo nenhum negócio. Então, nesse sentido, o que posso afirmar é que o terreno não está à venda. E a questão junto ao Ministério Público é sobre o tombamento ou não daquele patrimônio, que está sob análise, mas o restante não procede”, enfatizou padre Antonio Vander, ecônomo da Diocese de Criciúma.
Recomendação do MP:
O documento da 3ª Promotoria diz que a Diocese de Criciúma, “proprietária de imóvel cujo tombamento é pretendido pela comunidade, deve se abster de promover quaisquer atos relacionados à demolição do imóvel objeto deste procedimento até que a discussão acerca do tombamento seja finalizada. Na recomendação consta ainda que, em caso de não aceitação e/ou não cumprimento da mesma, há a possibilidade de adoção de outras medidas extrajudiciais ou judiciais”.
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