Projeto leva prevenção a adolescentes

A proposta da Adinkras é abordar temas do cotidiano que envolvam as meninas de Forquilhinha

Forquilhinha
Alexandra Cavaler
cidades@tnsul.com

O projeto Adinkras, ou grupo de apoio às mulheres vítimas da violência, realizado em Forquilhinha desde 2018, ganhou neste ano uma nova missão. Há seis meses, a proposta que visa atender mulheres no período da pós-denúncia para auxiliá-las na recuperação da autoestima e recomeço da vida, reúne meninas da Escola Estadual Luiz Tramontin, com foco na prevenção das violências, identificação de relacionamentos abusivos e gravidez na adolescência.

Quem explica a proposta e o sucesso dos encontros é Andreza de Oliveira, cocriadora e coordenadora do projeto Adinkras. “Nossa experiência com as mulheres que já foram vítimas da violência nos mostrou como é difícil superar os traumas que a violência gera e por isso pensamos em atuar com as meninas para evitar que vivam essas situações violentas. Assim, desde julho deste ano estamos atendendo adolescentes da Escola Estadual Luiz Tramontin, com objetivo de tratar a prevenção das violências, mostrar as maneiras de identificar relacionamentos abusivos e evitar a gravidez na adolescência”, explicou. O Adinkras atua com quatro profissionais: duas psicólogas, uma advogada e uma mestre em Educação.

Parceria

O projeto, que é financiado pelo Fundo para Infância e Adolescência do Município, por meio do Conselho Municipal do Direito da Criança e do Adolescente, em parceria com a Associação de Pais e Professores (APP), atende a 20 meninas com idade entre 13 e 16 anos. Andreza revela como foi iniciado o projeto na escola. “As meninas foram convidadas pelos professores e a gestão escolar para participar e poderiam não aceitar, mas a proposta foi bem aceita. Importante assinalar que as participantes não estão envolvidas por serem vítimas de violência, elas fazem parte para que a violência seja evitada, para que saibam como lidar ou identificar situações delicadas. Esse é um projeto de prevenção no qual abordamos, além do que já mencionei, o sexting (crime de vazamento de imagens íntimas)”.

Nos encontros realizados na escola acontecem debates, rodas de conversas pautadas em temas pertinentes ao Adinkras – Foto: Nilton Alves/TN

Construção da autonomia e cuidados

Joseane Nazário, psicóloga e coordenadora do projeto Adinkras, conta que o projeto envolve também a questão do autocuidado. “O projeto Adinkras, com as adolescentes, visa trabalhar com a prevenção de relacionamentos abusivos e promoção do autocuidado. É um espaço de combate a todos os tipos de violência por meio da apropriação de conhecimento, possibilitando meios de acesso aos direitos, construção da autonomia e cuidado. É de grande importância focar na prevenção considerando as consequências catastróficas que a violência causa na vida de muitas mulheres”.

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