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domingo, fevereiro 25, 2024

Conselho de Saúde e famílias pedem respostas para mortes de bebês

Mães alegam negligência do HMISC no óbito das crianças e que não estariam sendo recebidas

Criciúma
Maíra Rabassa
cidades@tnsul.com

Um grupo de mães denunciou o Hospital Materno Infantil Santa Catarina (HMISC) ao Conselho Municipal de Saúde de Criciúma por conta da morte de duas crianças na instituição, além de mais três estarem com possíveis sequelas após internação. As mulheres alegam que estão com dificuldade em ter acesso a informações sobre as causas das mortes dos bebês. Contaram que pediram o prontuário dos filhos e já passaram 20 dias e, até agora, seguem sem nenhuma explicação do hospital.


FALTA DE ESPAÇO

Por conta disso, a diretoria do Conselho de Saúde agendou uma reunião oficial com a direção da instituição, com a participação das mães e suas assessorias jurídicas. “O encontro seria na última terça-feira, 19, mas remarcaram para quinta-feira, 21. Quando chegamos lá, a diretoria só queria receber os quatro conselheiros e não quiseram deixar as mães entrarem alegando falta de espaço na sala de reuniões. Mas, elas têm que participar, precisam estar juntas para que possam contar a situação”, explica Julio Cesar Zavadil, vice-presidente do Conselho de Saúde.


O conselheiro ainda revela que o órgão está há dois anos tentando marcar uma reunião com a diretoria do HMISC, mas eles não os recebem. “Estamos pedindo reunião há dois anos e não nos receberam. Precisamos de respostas para saber o que está acontecendo. Então, marcamos para o dia 5 de outubro, a partir das 9 horas, um ato público, onde vamos ouvir as mães que tiveram problemas. Convidamos toda a sociedade a ajudar a salvar a vida de nossas crianças. Será em frente à instituição e que possamos ter respostas do que está acontecendo com nossas crianças”, informa Zavadil.

Desabafo sobre o drama vivido

Uma das mães que perdeu a filha relembra que na época em que o fato aconteceu, ela não investigou. “Logo depois perdemos nosso sobrinho de quatro meses. Hoje estamos aqui com uma das mães, cujo filho entrou saudável, somente com uma gripe, e saiu com sequelas”, destaca a mulher que não quis se identificar. Ela comenta que será feito um movimento para identificar outras crianças que tiveram complicações. “Estamos pedindo ajuda. Os nossos filhos não teremos de volta, mas queremos fazer algo para que isso não continue. Providência precisam ser tomadas pelas vidas de nossas crianças”.

Mulheres foram barradas de participar de encontro com diretoria, que seria nessa quinta-feira pela manhã – Foto: Divulgação

Jurídico do hospital encaminha nota sobre as denúncias

“O Hospital Materno-Infantil Santa Catarina não se recusa a atender ou a prestar os devidos esclarecimentos e está disponível para conceder as informações técnicas ao Conselho Municipal de Saúde de Criciúma ou de forma individual, em razão da LGPD, às famílias interessadas. Foi o que aconteceu nesta quinta-feira de manhã, quando integrantes do departamento jurídico do IDEAS se deslocaram a Criciúma para uma reunião técnica, às 9h, com quatro integrantes do Conselho, e eventualmente o advogado do órgão, para tratar de dois casos de atendimentos realizados no Hospital Materno-Infantil.


O fato é que no horário marcado não estavam todas as pessoas previamente identificadas do Conselho. Por outro, estavam outras que não constavam do acordado para a reunião. Diante disso, e dos impedimentos legais já citados, e em razão dos transtornos causados na recepção da unidade, foi acionada a Polícia Militar para conter os ânimos.


De qualquer forma, os representantes jurídicos do hospital tentaram um diálogo, ponderando que o encontro seria com integrantes do Conselho para tratar das questões de forma técnica, e também porque desconhecia detalhes dos demais casos. As portas permanecem abertas para todos e está disponível para atendimentos aos familiares de forma individualizada – ou com o Conselho Municipal de Saúde, mas sempre sob a forma da lei”, explicou a assessoria jurídica do HMISC.

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