O grupo Dexco, administradora da antiga Cerâmica Eldorado, confirmou que não irá fechar a unidade do bairro Quarta Linha, em Criciúma. Porém, segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Ceramistas e da Construção Civil de Criciúma e Região, Itaci de Sá, a produção do local foi paralisada na noite desta última segunda-feira, dia 31, por volta das 22h. Ontem, durante reunião, a empresa informou que alguns remanejamentos serão feitos. Uma nota oficial da Dexco deve ser divulgada hoje para os veículos de imprensa.
A reportagem teve acesso ao documento apresentado e assinado pelo representante de relações trabalhistas e sindicais da empresa, Eduardo Francisco de Souza, em que informa para o sindicato que a partir de hoje irá concentrar a produção da unidade RC2 (Eldorado) na unidade RC1 (Portinari), ambas situadas em Criciúma. Conforme o documento, isso acontecerá por conta da retração da demanda de mercado e nível de estoque no setor de revestimentos cerâmicos. “Ressaltamos que não haverá desmobilização dos ativos na unidade RC2, na perspectiva da retomada e crescimento da demanda”, diz.
Apesar disso, a declaração ressalta que demissões irão acontecer. “Em razão destes movimentos, alguns ajustes são necessários, o que inclui o remanejamento dos colaboradores através de transferências para a RC1, contudo, inevitavelmente, não será possível absorver toda mão de obra”.
De acordo com o presidente do sindicato Itaci de Sá, a situação é desanimadora. “A empresa disse que não vai desativar o CNPJ, ela vai ficar dormindo. Apesar disso, temos empresas aqui na região que estão assim há mais de 15 anos e nunca devem acordar. Vai entrar em coma e vai morrer”, completa. Segundo ele, a unidade somente ficará aberta para a venda do estoque que está cheio.

Demissões
Com um quadro de aproximadamente 300 colaboradores, a unidade deve demitir cerca de 150, conforme previsão do presidente do sindicado, sendo remanejado o restante. “Isso é uma forma de não ter um impacto muito grande com as demissões. A posição do sindicato é que a empresa nunca deve voltar ao que era antes. Vamos torcer para estarmos errados, mas a possibilidade é praticamente zero”, salienta Itaci de Sá.
O documento apresentado pela Dexco ressalta que será organizado um serviço de acolhimento para os colaboradores desligados e que irá cumprir com todas as obrigações legais.
Reuniões na Casa d’Agronômica
O prefeito de Criciúma, Clésio Salvaro, esteve na tarde de ontem na Casa d’Agronômica, residência oficial do governador do Estado de Santa Catarina, Jorginho Mello, para discutir o assunto com diversas autoridades. Acompanharam o prefeito os vereadores Salésio Lima, Valmir Dagostim e Geovana Zanette, além do presidente da Associação Empresarial de Criciúma (Acic), Valcir José Zanette, e do presidente da SCGás, Otmar Müller.
“O governador falou com o CEO do grupo, Antônio Joaquim de Oliveira. Algumas alterações serão feitas, algumas demissões, mas conseguimos dar uma estancada nessa situação preocupante para a cidade. Quando tem que defender o município todos se unem”, explicou.
Já o presidente da Acic afirmou que a conversa entre o governador e o CEO da empresa foi fundamental. “Ele [Antônio Joaquim de Oliveira] garantiu que farão outros investimentos em Santa Catarina. Eles não estão declarando fechamento. Terá desligamentos, mas não o que a gente imaginava”, ressalta Valcir Zanette.
Depósito lotado
A equipe de reportagem do Tribuna de Notícias conversou com alguns colaboradores no entorno da empresa. Eles afirmaram que, atualmente, o depósito da unidade possui uma capacidade para armazenar 800 mil m² de revestimentos. Apesar disso, mais de dois milhões de metros quadrados de materiais estão distribuídos pelo depósito e no pátio da empresa.




