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segunda-feira, junho 24, 2024

Vacina em testes para revolucionar o curso da doença de Alzheimer

Imunizante mira células cerebrais inflamadas; ensaios realizados em camundongos tiveram resultados animadores

Um grupo de cientistas japoneses obteve resultados animadores na primeira fase de testes de uma vacina que tem potencial para mudar o curso da doença de Alzheimer.

O foco do imunizante são células cerebrais inflamadas que estão associadas ao Alzheimer. Os resultados do trabalho foram apresentados no último domingo, dia 30, durante uma sessão científica da Associação Americana do Coração.

Os pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade Juntendo, em Tóquio, Japão, já haviam desenvolvido uma vacina capaz de eliminar células senescentes (células que estão velhas e não funcionam mais adequadamente).

Essas células são conhecidas por contribuir para o desenvolvimento de várias doenças relacionadas à idade, incluindo aterosclerose e diabetes tipo 2.

Eles também descobriram que células senescentes são altamente expressas em pessoas com doença de Alzheimer, razão pela qual decidiram testá-la também para esses quadros.

Os primeiros ensaios, realizados em camundongos, apresentaram resultados animadores. O imunizante foi eficaz na redução do número de células senescentes no cérebro dos animais.

Os camundongos vacinados também apresentaram menos placas amiloides (depósitos anormais de proteínas beta-amiloide que se acumulam no cérebro) e menos inflamação no tecido cerebral. Observou-se ainda melhoras no comportamento e na memória.

Os cientistas esperam em um futuro próximo poder testar o imunizante em humanos.

“A doença de Alzheimer agora é responsável por 50% a 70% dos pacientes com demência em todo o mundo. O novo teste de vacina do nosso estudo em camundongos aponta para uma maneira potencial de prevenir ou modificar a doença. O desafio futuro será alcançar resultados semelhantes em humanos”, disse Chieh-Lun Hsiao, estudante de pós-doutorado no Departamento de Biologia Cardiovascular e Medicina da Escola de Medicina da Universidade de Juntendo, que subscreve o artigo.

O sucesso dos testes em humanos “seria um grande passo para retardar a progressão da doença ou mesmo a prevenção dessa doença”, acrescenta Chieh-Lun Hsiao.

A doença de Alzheimer é um distúrbio neurodegenerativo caracterizado pelo acúmulo de pedaços de proteínas, chamados beta-amiloides no cérebro.

Os beta-amiloides formam aglomerados ou placas que se acumulam entre os neurônios e interrompem a função celular.

O Instituto de Envelhecimento dos Estados Unidos identificou esse acúmulo de beta-amiloide como uma característica do Alzheimer

Além do acúmulo de beta-amiloide, problemas vasculares também podem contribuir para o desenvolvimento da doença, pois pode haver falhas na barreira hematoencefálica – camada protetora que impede a entrada de agentes nocivos no cérebro.

Uma barreira hematoencefálica defeituosa pode impedir que a glicose chegue ao cérebro e dificultar a eliminação de beta-amiloide e proteínas tóxicas, levando à inflamação crônica e à progressão da doença de Alzheimer.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), atualmente 55 milhões de pessoas vivem com demência em todo o planeta, das quais entre 60% e 70% têm Alzheimer.

Com o envelhecimento da população, estima-se que a demência poderá atingir 78 milhões de pessoas daqui a oito anos e 139 milhões até 2050.

*Via R7

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