Tiago Monte
Morro da Fumaça
Com a criação da Associação de Voleibol Morro da Fumaça (VOA), a cidade quer se tornar a capital do vôlei na região. O projeto é ousado e conta com o cubano Ángel Dennis como embaixador. “Vieram falar comigo sobre o projeto e como eu poderia ajudar e entrar na iniciativa. Então, vamos vincular a minha imagem ao projeto. Isso para motivar os jovens da região a praticarem o vôlei”, comenta o jogador.
Dennis é casado com a içarense Sany Mazzuchetti e, por isso, tem vínculo com a região. A intenção do astro é desenvolver o time Adulto para participação na Superliga C do ano que vem. Inicialmente, a equipe fumacense jogará o Estadual e terá adversários fortes, como Joinville e Blumenau, que estão na Primeira Divisão do vôlei brasileiro. “São dois times bem fortes e, para nós, serão testes importantes. Estamos tentando trazê-los para jogar aqui. As partidas contra eles são fora, mas estamos negociando para trazê-los, porque para nós seria muito bom. Uma ótima vitrine”, detalha Dennis.
Atualmente, muitos jovens treinam vôlei, em Morro da Fumaça, mas acabam desistindo do esporte, em função da inexistência de um time profissional e com alto rendimento. “Todos param com 16 ou 17 anos, porque não têm como dar sequência. As crianças, quando chegam nessa idade, tiram o foco do vôlei, porque sabem que só tem mais um ano. Eles partem para outro esporte ou para estudar. A nossa ideia não é que eles não estudem, muito pelo contrário, mas que tenham oportunidade de seguir em uma carreira com um time profissional de vôlei”, enfatiza.
A busca por um novo ginásio
O começo do projeto já traz novas necessidades. Como deseja participar da Superliga C, o time de vôlei de Morro da Fumaça precisará de um novo ginásio para jogar. Atualmente, os espaços disponíveis não preenchem os pré-requisitos exigidos pelas divisões principais do vôlei brasileiro. “É o único lugar de Santa Catarina que é esquecido. A gente vai lutar para conseguir, junto ao Poder Público e parceiros, a construção de um ginásio adequado para que consiga comportar as competições. De nada adianta ter um time na Superliga C e não ter onde jogar. Precisamos desenvolver o vôlei de maneira ampla. Agora que temos o Paulão, na Fesporte, vamos tentar sensibilizar a todos pela nossa região”, comenta Dennis.
A construção de um novo ginásio, com as características mínimas necessárias, aumentará o vínculo do esporte com a região. “Hoje é impossível ter um jogo da Superliga na região. Precisa, ao menos, de uma reforma ampla em algum ginásio para que isso aconteça. Faltam piso adequado, arquibancadas, vestiário, espaço para a imprensa… São requisitos que precisamos. Não adianta corrermos, conseguir criar toda a estrutura e depois não ter onde jogar e ter que migrar para outra cidade. Fica difícil, perde vínculo com a cidade e patrocinadores”, pontua o cubano.
A intenção é projetar toda a região no esporte. “Desenvolvendo a equipe, projeta não só a cidade, mas a região. Sò que nós, aqui, não temos um ginásio que comporta partidas oficiais de vôlei profissional. O vôlei é o segundo esporte de todos. É impensável que não tenhamos um ginásio que comporte as partidas aqui”, comenta.
Apoio fundamental da prefeitura
A prefeitura, através da Secretaria de Esporte, está oferecendo suporte irrestrito ao novo time de vôlei de Morro da Fumaça. “A prefeitura, por meio da Secretaria de Esporte, está sendo fundamental. O prefeito está dando um apoio extraordinário. Eles acreditam no projeto e entendem que, através do esporte, vamos ter transformação social”, enfatiza Dennis. “O prefeito entende isso e é raro que os políticos pensem assim. Ele acredita que o time precisa de competição para motivar as crianças e jovens a praticarem o esporte”, completa.
Atualmente, Dennis é morador da região. Ele está vivendo em Içara e quer criar cada vez mais vínculos com o Sul do Estado. “Muitas pessoas, aqui, me encontraram na rua e nem sabem que eu estou aqui no Brasil. A gente sempre fica dois meses aqui, em férias, e volta para a Europa. Mas, agora, estamos morando aqui em Içara. Muita gente conhece a minha história e do vôlei cubano, mas nem imagina que eu estou aqui”, diz.
A intenção é inspirar os jovens a jogarem vôlei e, porque não, serem profissionais do esporte. “Queremos incentivar toda a gurizada daqui a jogar vôlei. Quero passar o que vivi no vôlei, durante toda a minha carreira, para inspirar os jovens. Queremos que os nossos atletas não precisem ir para São Paulo para se profissionalizar, mas, sim, que eles tenham um espaço e consigam ter o sonho de serem jogadores de vôlei”, destaca.
A experiência de Ángel Dennis, que esteve nas Olimpíadas de Sydney, na Austrália, em 2000, com a seleção cubana, será fundamental para o sucesso do projeto. “A nossa ideia é trazer o que eu vivi lá fora nos clubes que eu passei. No exterior, todos os clubes têm equilíbrio entre escolinhas e time profissional, de alto rendimento. Isso porque uma coisa puxa a outra. Isso é o que está faltando aqui na região: têm muitas escolinhas e crianças que querem jogar, só que não tem um projeto que dê continuidade até chegar a um time profissional”, finaliza.




