Sucessão Familiar: um desafio para o futuro das empresas

Processo de transferência patrimonial e de gestão costuma tirar o sono da maioria dos fundadores das corporações. Entretanto, com planejamento e paciência, diversos casos de sucesso se apresentam no Sul de Santa Catarina

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Tiago Monte

Criciúma

Muitos negócios criados com suor e renúncias acabam crescendo, se consolidando e gerando frutos. Porém, chega a hora do fundador “passar o bastão” para o sucessor. E aí inicia, muitas vezes, um verdadeiro pesadelo para as ditas “primeiras gerações”. A sucessão é um tema sensível e delicado dentro das famílias empresárias. Segundo um levantamento realizado pelo PNC (Pricewaterhouse Coopers), 75% dessas empresas fecham após serem sucedidas pelos herdeiros dos gestores.

Entretanto, no Sul de Santa Catarina, são muitos os negócios que se perpetuam. E isso acontece pelo cuidado que se tem no momento da sucessão. “O primeiro grande ponto é entender que a sucessão é um processo. Não se faz a sucessão de um dia para o outro. Existem dois vértices de sucessão: patrimonial – empresarial ou de bens particulares, ou seja, transmissão de herança – e de gestão. Então, é um processo que objetiva a perpetuação da empresa. Quando se tem a compreensão que existem os dois tipos de sucessão, e o objetivo é evitar conflitos, posso dizer que se tem um processo sucessório exitoso”, explica Edson Cichella, advogado especialista no tema Sucessão Familiar.

O primeiro grande desafio é o processo de convencimento junto ao fundador. “E a maturidade para começar isso. Nem todo fundador – ou fundadores – estão preparados para isso (sucessão). Alguns requerem um pouco mais de tempo para pensar a respeito, outros já tem uma compreensão mais apurada e fica mais rápido o processo. Esse é o grande desafio”, detalha Cichella.

Não existe “receita de bolo” pronta

               Conforme o advogado, cada empresa familiar precisa lidar o assunto à sua maneira. “Não há uma receita de bolo pronta para todos”, resume. As empresas familiares, na maioria, têm a frente o fundador do negócio. Ele como principal executivo. Entretanto, no processo de sucessão de gestão, se olha atentamente para tudo. “Não necessariamente os herdeiros do fundador devem ser herdeiros de cargo. Aqui tem que ter um trabalho e uma consciência muito grande, porque pode ser que os herdeiros tenham outros interesses. Ou seja, que eles queiram seguir outros negócios e sejam encaminhados para outros negócios. O pai que tem três ou quatro filhos: pode ser que dois sejam médicos, ou outra profissão, e não tenham interesse em ocupar algum cargo. Pode ser que um tenha interesse, mas não tenha as habilidades que o cargo requer. Pode ser que ele não tenha o perfil que o cargo requer. Esse é um assunto muito delicado e sensível”, pontua o advogado.

Cichella adverte que o ideal é realizar o processo sucessório em vida e quando os negócios estão bem. “Enquanto há um relacionamento positivo na família. Tudo isso ajuda. Agora, o fundador precisa ter a consciência que sucedê-lo não é pós-morte. Mas em que tempo o fundador pode ser sucedido? Isso vai de cada família empresária. A gente pode começar um processo de sucessão estruturando a governança corporativa, instituindo isso, e trazendo essa cultura para a família empresária. Educando os filhos dentro da governança corporativa, para depois, em determinado momento, efetivar-se a sucessão de gestão e patrimonial”, comenta

A empresa leva, literalmente, o nome das filhas

Um dos casos de sucessão familiar realizada com sucesso está em Içara. Mais precisamente na Rede Moniari. E o nome da empresa já deixa a segunda geração dentro do negócio: Monique e Ariela Pizzetti são filhas do casal Almerindo e Maristela. Não por acaso, o nome da empresa: “Moni” e “Ari”. “Nós começamos o processo de sucessão no início da empresa, em 1990, pois o nome das meninas faz parte da marca. O processo está em andamento desde o nascimento. Conseguimos, neste 33 anos, mantê-las sempre junto com a gente, no dia-a-dia: compras, vendas, depósito, financeiro… Em todos os setores, elas estiveram. Elas estão se preparando aos poucos, afinal, em todos os dias nós estamos aprendendo. Não é fácil, mas estamos em um caminho que eu acredito que vai dar certo”, destaca Almerindo Pizzetti, fundador da corporação.

E um dos “segredos” para que o processo tenha sucesso foi cumprido: as filhas conheceram o processo da empresa, desde a base até o topo. “Eu era diretora de TI e abracei o comercial, para que ele (Almerindo, o pai) pudesse focar, principalmente, na expansão da companhia. Foi onde a gente começou a trabalhar mais essa questão da sucessão, até porque eu assumi algumas atividades dele”, lembra Monique, que, atualmente, ocupa o posto de CEO da empresa.

*A matéria completa está no jornal Tribuna de Notícias desta terça-feira, dia 13

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