Quando o dinheiro vale mais que a responsabilidade pela vida

Os atendimentos voltados à saúde e ao socorro das pessoas são fundamentais em todos os lugares. Neste contexto a aeronave da Polícia Civil, tripulada pelos policiais do Serviço Aeropolicial (SAER) e pelos profissionais da saúde do Serviço de Atendimento e Resgate Aeromédico do Sul (SARASUL), presta um serviço fundamental às cidades das Associações dos Municípios da Região Carbonífera (Amrec), da Região de Laguna (AMUREL) e do Extremo Sul (Amesc). Até aí nenhum problema. A questão está na falta de contribuição financeira dos municípios da Amesc com relação aos serviços prestados.

Conforme o delegado Gilberto Mondini, que coordena o serviço no estado, o valor da locação da aeronave sofre um grande reajuste nos últimos meses, bem como o valor do combustível, ou seja, a parte da polícia civil está ficando muita pesada. “Os aumentos dos últimos tempos vem impactando diretamente no pagamento, por parte da polícia civil, para manter a aeronave. Cabe ressaltar que a polícia tem a responsabilidade com o aluguel da aeronave, seguro, combustível, manutenção e tripulação para pilotar. Já os municípios são responsáveis pelo aeromédico: a folha de pagamento dos profissionais e os insumos hospitalares. Assim o custo mensal aproximado da policia civil é de 650 mil reais enquanto Amrec e Amurel rateiam, proporcionalmente à população de cada cidade, 118 mil reais”.

Mondini também ressalta que a parte da policia civil está ficando muita pesada e, por isso, as tratativas junto à Amesc, para que eles comecem a contribuir, foram retomadas. Ele ainda lembra que a população da região em questão é atendida pelo serviço custeado pela Amrec, Amurel e policia civil. “E eles não colaboram com nada desde o inicio dos atendimentos, em dezembro de 202º. Por isso estamos insistindo já há algum tempo, porem sem sucesso, infelizmente”, lamenta o delegado, acrescentando: “E as desculpas são que os prefeitos não concordam ou não estão cientes. Então fomos conversar com vários prefeitos, explicamos a situação e a princípio todos entenderam por bem ajudar. Porem agora, dentro da associação, estão alegando questões jurídicas para regulamentar esse pagamento”, diz.

Resposta da Amesc

O delegado lembra que há três anos a Amurel e a Amrec não tiveram e continuam não tendo problemas jurídicos. E que Chapecó, onde também tem uma base há sete anos, nunca ocorreram impedimentos. Ele comenta que, na realidade, não sabem muito bem o que está acontecendo para que a Amesc não ajude com os repasses. Questionado, o colegiado de prefeitos da Amesc afirmam que a pauta tem entrado em análise constantemente, Mas até então o consenso é de que esse é um serviço que é de competência do estado. A resposta ainda diz: “Não foi dado nenhum retorno até hoje porque estamos refletindo se vamos assumir mais um compromisso que não é para o municipalismo. Acreditamos que é um serviço importante e essencial, mas que o compromisso deste atendimento não é do município. Até porque temos outros compromissos de saúde com as nossas cidades”.

Presidente da Amrec se manifesta

O atual presidente da Amrec, Noi Coral esteve, em 2021, à frente do Consórcio Intermunicipal Multifinalitário da Associação dos Municípios da Região Carbonífera (CIM-AMREC), que por sua vez faz o pagamento ao Saer/Sarasul, revela que conversou com o presidente da Amesc na época, mas também não surtiu efeito. Enfatiza ainda que nenhuma das três regiões fica sem atendimento e acha falta de consideração. “É, com certeza, falta de consideração porque se os municípios das regiões que pagam deixassem de contribuir, provavelmente estes profissionais vão parar de atender, ou seja, um prejuízo enorme para a saúde e a vida do ser humano em nossa região. Sem contar que o valor mensal não exorbitante. Até porque a vida não tem preço. Além do mais, não basta só jogar só jogar a culpa no governo, o município pode dar sua colaboração para um serviço que é tão importante”, destaca Noi Coral.

Equipe e números do Saer/Sarasul

A equipe do Saer/Sarasul é composta por sete médicos, três enfermeiros e uma farmacêutica. Em 2022 na região carbonífera foram realizados 66 atendimentos, na região de Laguna foram 56 e no extremo sul, 45. Se compararmos somente o mês de maio; em 2022 foram nove e em 2023 23 atendimentos. Na Amesc o socorro subiu de dois chamados para sete, de um ano para o outro; na Amrec de dois para nove; e na Amurel de cinco para sete atendimentos.

Texto e reportagem: Alexandra Cavaler

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