“A mulher do século 21 quer ser protagonista”, diz sexóloga

Profissional analisa que, essa nova geração de garotas procura por reconhecimento, valorização e não quer ter filhos

Maíra Rabassa
Içara

Por séculos, a mulher era apenas aquela que ficava atrás de um “grande homem”. Com o pós-guerra e a necessidade do mercado de trabalho de ter mais mão de obra, a partir dos anos 1940, as moças começaram a ganhar os espaços. Agora, de acordo com Cissa Aguiar, sexóloga e terapeuta familiar de Içara, elas querem ser protagonistas de sua história. “Elas sempre foram vistas como coadjuvante em tudo, sempre atrás do homem. Hoje, elas querem ser vistas, valorizadas, reconhecidas por suas multi potencialidades, criatividade, inteligência e dinamismo. Querem o pódio. Querem tudo o que lhes foi tirado por conta do machismo”, avalia a terapeuta.

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REALIZAÇÃO PESSOAL

 

Cissa destaca que essa geração de garotas procura mais pela realização pessoal. Além disso, ela quer mais prazer e parceria dos homens. “Antes as mulheres vinham para o mundo para casar, ter filhos e cuidar da casa. Com o espaço no mercado de trabalho, elas estão deixando para ter filhos mais tarde, para poder estudar, ter um diploma, melhorar de vida. A família de comercial de margarina mudou. As mulheres estão investindo mais na carreira, casam mais tarde – o que não era comum – e isso tem assustado os conservadores. A mulher moderna está preferindo ganhar filhos depois dos 40 anos, pois nessa idade ela se sente mais resolvida. Lembrando, que ela também quer ser amada, quer uma companhia, mas para isso, é necessário que ela tenha alguém que a compreenda e que a respeite”, completa a sexóloga.

Independência torna as jovens mais seletivas

Quando a mulher percebe que é capaz de se manter sozinha e, que não depende de um homem para isso, faz com que ela seja mais seletiva nos seus relacionamentos sexuais. “Antes elas se envolviam em relacionamentos abusivos e violentos porque dependiam financeiramente de um homem. Hoje ainda acontece, pois enquanto o homem tiver o poder financeiro na mão, ele terá o controle dessa mulher. Muitas vezes, elas se submetem a esses relacionamentos por não ter uma independência. Porém, quando ela conquista isso, ela se torna ‘perigosa’ para o homem. Isso porque ela vai se interessar por alguém que a trate bem, de um nível intelectual mais interessante, que realmente ela gosta, não por obrigação e nem imposição, mas só por querer estar com ele”, explica Cissa.

Carreira, filhos e a descoberta do prazer

 

“Agora estamos conseguindo mostrar realmente o nosso poder feminino”, enfatiza a sexóloga. Ou seja, a mulher começou a dizer mais não para a sociedade, e isso se reflete na questão da procriação. Ou seja, ela está repensando quer ou não ter uma família, gerar um filho. “Esse padrão de família – marido, mulher e filhos – surgiu com o cristianismo, e por muitos séculos a família foi assim. Com a evolução, e a mente mais aberta, algumas mulheres viram que não são aptas a terem filhos e não os têm. Ela reflete mais: ‘será que uma pessoa que nasceu para isso?’. Elas estão focadas na carreira, por exemplo, e não querem perder a liberdade que conquistaram. Hoje a mulher sabe o que quer e onde quer chegar”, conclui.

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