Dia Internacional da Mulher: Lugar de mulher é onde ela quiser

Márcia Pereira de Maia, de 42 anos, trabalha há 12 anos na construção civil, mas afirma que, ainda hoje, sofre preconceito, no ambiente profissional, em função do gênero


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Tiago Monte

Criciúma

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Cada vez mais, as mulheres conquistam espaços nos ambientes profissionais. Márcia Pereira de Maia, de 42 anos, trabalha há 12 anos na construção civil. Porém, até hoje, ela afirma sofrer preconceito. Nem tanto dos colegas, mas, sim, de quem trabalha indiretamente com ela. “Isso eu sinto todos os dias. As pessoas pensam que eu não vou conseguir carregar tijolos porque são pesados. Se chega algum material, eles procuram por um homem para atender, mas eu digo: não, pode falar comigo. Quem cuida sou eu. Eles perguntam: não tem um responsável? Dá a impressão que tu, sendo mulher, não é capaz de cuidar da atividade do homem, mas nós somos capazes, sim. Quem sabe até melhor”, desabafa.

Ela percebe a discriminação todos os dias, no ambiente de trabalho. “A gente cuida de casa e do trabalho. Sendo assim, temos total capacidade de carregar tijolos, tabua, terra, cimento… Não tem diferença nenhuma. Mas a gente sente discriminação todos os dias”, lamenta. “Tem muito preconceito por eu ser mulher. Pensam que eu sou frágil, que não posso fazer determinadas atividades. Mas, não! De forma alguma! Qualquer pessoa pode fazer qualquer atividade, desde que tenha vontade e se esforce. Com amor e dedicação, tudo é possível”, completa.

Quanto aos colegas de trabalho, que convivem diariamente nas obras, ela não tem reclamação. “No meu caso, não tenho problemas. Já faz esses anos todos e não teve desgaste. Fiz cursos, me desenvolvi e não tenho problemas. Da minha parte e dos meus colegas homens. Eles sempre me respeitaram. Claro que o setor quem faz é você. Se você coloca respeito, as pessoas te tratam assim também”, comenta.

Amor pela função exercida todos os dias

Mesmo com os preconceitos, Márcia jamais pensou em trocar de atividade. “Nunca. Sou grata por estar aqui ainda. Estou aqui por méritos meus. Eu acordei, batalhei e cheguei até aqui . Mas estou aqui pela oportunidade que a empresa me deu também”, diz.

Márcia chegou à construção civil em um período complicado da vida profissional. “Eu estava desempregada e procurando emprego em várias empresas. Cheguei na construtora e deu certo. Só tinha de assistente de obras. Então, eu peguei a vaga. Depois, fiz um curso de operadora de máquina, em seguida fui para o almoxarifado e, agora, estou na parte de acabamentos. Mas eu faço um pouco de cada atividade”, explica.

A rotina dividida entre o trabalho e a casa

Márcia comenta as dificuldades em atrelar a rotina do trabalho com os cuidados da casa. “Eu acordo cedo, tenho dois filhos pequenos e uma família em casa, não é fácil, mas, aqui, se torna a minha casa também. Eu passo mais tempo aqui, então penso que tudo é meu. Pensando assim, dou mais valor. Eu sou muito grata”, pontua.

A influência do trabalho acaba chegando também em casa. “Meu esposo diz que eu sou firme demais. Ele pede pra eu ser mais flexível. Mas, como eu trabalho com responsabilidade, eu também uso isso em casa. Eu cobro muito dos meus filhos. Eu tenho que cuidar. Sou quase igual aqui e em casa”, comenta.

Sem esquecer do cuidado com a parte estética

Se engana quem pensa que Márcia não dá atenção para a parte estética. Vaidosa, ela mantém os mesmos cuidados de mulheres que exercem outras funções. “No caso dos cabelos, precisamos cuidar, em função do pó e terra. Então, tem que amarrar e colocar embaixo do capacete. As unhas não podem estar pintadas porque estragam. A gente lava muito e escova pisos e paredes na obra. Independente disso, chega o final de semana, a gente ajeita unha e cabelo”, comenta. “A gente não pode estar com joias, porque a atividade de construção civil é pesada. Precisamos ter cuidado”, adverte.

Os cuidados não impedem que ela exerça qualquer função. “Os homens pensam que a gente vai sujar a roupa ou quebrar a unha, mas não tem nada disso. De forma alguma. Desde o momento que tu tenhas vontade, nada impede”, comenta.

Márcia se considera perfeccionista. “Eu tenho um defeito: não consigo deixar algo para amanhã ou fazer mal feito. Isso me incomoda. Se me der uma meta, eu cumpro. Os outros, muitas vezes, não são assim. Acaba sobrando para mim”, comenta. “Eu sou bastante grata pela oportunidade de trabalhar aqui. A vida gira, mas eu sigo aqui”, finaliza.

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