Gustavo Milioli
Criciúma
‘Um povo sem história é um povo sem futuro’. O pensamento da historiadora paulista Emília Viotti não vem ao acaso. Para não deixar a memória regional se perder com o tempo, a Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc) mantém desde o início dos anos 2000 o Centro de Memória e Documentação (Cedoc).
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São milhares de fotografias, vídeos, documentos, cartas, mapas, processos e materiais
que ajudam a contar uma parte da história do Sul Catarinense. O rico acervo compreende,
principalmente, registros do século XX. Os pesquisadores são capazes de entenderem como funcionava a sociedade criciumense ao passar das décadas, depois da colonização italiana em 1880.
Materiais
Encartes de jornais antigos, correspondências, plantas arquitetônicas, cartas de demissão, certidões… O Cedoc é um verdadeiro paraíso para os profissionais da área efetuarem seus estudos, ou para os curiosos de plantão que gostam de se debruçarem em meio à realidade dos antepassados.
Todo o arquivo é coordenado pelo professor Paulo Sérgio Osório. Responsável pela preservação destes ‘tesouros’, o historiador resume o Cedoc em um lugar onde se encontram as profundas raízes da região, daqueles que já se foram e, daqui a algum tempo, daquilo o que se vive na atualidade, já como passado.
“De grosso modo, nós nos ocupamos de guardar e preservar conjuntos documentais
que tenham significado e relevância para a história da região. Pesquisas em nosso acervo já renderam livros, matérias de revistas, artigos acadêmicos, dissertações de mestrado e teses de doutorado”, destaca.
A cultura carbonífera revive
Não há como falar sobre a história de Criciúma e região sem lembrar-se da atividade carbonífera. Durante décadas, a extração do carvão foi o principal segmento econômico, responsável pelo desenvolvimento da maior cidade do Sul Catarinense. A maior parte
dos documentos do Cedoc está relacionada à cultura do carvão, com inúmeros processos
trabalhistas dos mineradores e até mesmo o documento que oficializou a criação do Sindicato dos Mineiros de Criciúma, assinado em 30 de junho de 1945.
“Desde as vilas operárias até as atividades industriais, criou-se uma cultura do carvão aqui. Esses documentos são portadores de memórias. Não há como produzir uma narrativa
histórica sem fontes documentais, que tragam memórias sociais. A nossa história depende da preservação deste acervo”, enfatiza o coordenador.
Recentemente, o centro conseguiu a ‘guarda’ de todos os registros do Sindicato dos Mineiros, o maior e mais importante movimento sindical de trabalhadores já visto no Sul do Estado. “Tivemos acesso a gravações em VHS com assembleias, programas e greves, incluindo até confrontos com a polícia e prisões. São mais de 500 fitas que precisam passar por restauração, uma a uma, para podermos assistir a essas imagens em uma mídia mais moderna”, detalha.
Leia a matéria completa na edição desta segunda-feira, 22 do jornal impresso Tribuna de Notícias.




