Tiago Monte
Araranguá/Urussanga
Eliton Ghisi tem apenas 20 anos, mas já nutri uma certeza: quer ser motorista. Ele está iniciando na profissão – parte para a segunda viagem sozinho – e busca seguir os passos do pai. “Isso já vem de criança. Eu estava sempre na estrada com o meu pai, quando eu era pequeno. Hoje, meu pai tem 23 anos de estrada. Para teres uma ideia, quando eu comecei a viajar com o meu pai, ele me colocava dentro do porta-luvas do caminhão. Eu era de colo mesmo. Viajávamos, eu, ele e minha mãe. Ela também vai para a estrada, mas menos, porque trabalha na agricultura”, explica o jovem. “Ela vai para a estrada uma ou duas vezes por ano, hoje em dia. É menos vezes porque tem compromisso da casa e do trabalho”, completa.
Morador de Urussanga, Eliton já sabe como é rotina dos motoristas. “A minha casa é em Urussanga, mas eu venho para cá a cada duas semanas. Iniciando viagem em uma sexta, por exemplo, eu volto dali uns 12 dias. Quando a gente volta, nem fica bem em casa, porque tem manutenção do caminhão pra fazer e outras situações assim. O pessoal pensa que a gente fica descansando, mas é difícil. Caminhoneiro quando não está na estrada, está na oficina com o caminhão”, comenta.
Assim como o pai, Eliton transporta esquadrias de alumínio para todo o Brasil. Eles têm como principal rota o Nordeste do Brasil, onde a situação é tida como mais precária do que no Sul. “Aqui no Sul do Brasil, a gente tem bastante opção de parada. Agora a pouco, eu fui para o Rio Grande do Sul e tem almoço melhor, por exemplo. Agora, no Nordeste, é mais complicado, daí a gente faz comida na caixa do caminhão. Para lá, a comida é um ponto mais complicado. Não é igual a nossa aqui”, destaca.
A dura rotina nas estradas do Brasil
Comer, tomar banho e dormir. Hábitos básicos para qualquer pessoa, mas que são um pouco mais complicados para os motoristas. A refeição é feita, em geral, em uma “caixa” no próprio caminhão. “É uma comida mais simples mesmo. Até porque sai mais em conta. Se for sempre comer rodízio em restaurante, o frete não chega para a comida. Sai muito caro. Nós somos autônomos, então, tem pessoas que dizem que trabalhar empregado é ruim. Mas para trabalhar por conta, para a gente mesmo, precisa ter planejamento, porque tem muito gasto”, enfatiza Eliton.
O banho é tomado em determinados postos de gasolina que, em geral, já têm parceria com os motoristas. “Para tomar banho, a gente já tem as redes de postos que oferecem. Tem no Paraná, Minas Gerais e no Nordeste também. Nós já temos as paradas certas para tomar banho. A gente faz um cálculo, mais ou menos, para saber onde vai parar. Geralmente, a gente abastece o caminhão e ganha o banho. Às vezes, ganha até a comida. O posto ajuda. Dependendo da litragem que é abastecida, eles ajudam, mas não são todos”, detalha.
As horas de sono são escassas. “Varia. Umas quatro ou cinco horas por noite. Mais ou menos isso. É mais um cochilo do que um sono e a gente fica muito cansado. A gente segue na força de vontade mesmo. É uma rotina cansativa, a estrada cansa. Quando se dirige 100 quilômetros, em um carro, já é bem cansativo, né? Imagina andar oito mil quilômetros? Cansa”, pontua.
Mesmo com todo o desgaste, Eliton tem convicção em seguir na profissão. “Eu acredito que cada pessoa deve fazer o que gosta. Eu não trocaria de profissão. Eu gosto da rotina. Mas também, eu estou começando agora. Baseado pelo meu gosto, eu quero continuar a vida inteira”, ressalta. “Eu viajava com o meu pai, agora vou sozinho. Minha ideia, mais para frente, é pegar um caminhão mais novo e ir lutando para crescer”, completa.
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