Tiago Monte
Criciúma
Os motoristas são os grandes responsáveis por movimentar a economia do país. Eles transportam insumos básicos para o dia a dia – como medicamentos e comida – porém se sentem desvalorizados. A profissão, essencial para o desenvolvimento do país, encontra obstáculos nas estradas e fora delas. “Eu penso em mudar de profissão. Meu caminhão está para vender. Do jeito que está hoje, complica. O preço do óleo, fiscalização… tudo complica. Nada mais facilita. Eu botei o caminhão para vender, se eu conseguir, eu paro. O motorista, hoje, é muito desvalorizado. Muita cobrança e nada para o lado dele”, desabafa Cristiano Santana Gomes, de 33 anos, que é caminhoneiro autônomo e trabalha na profissão há oito anos.
Nesta segunda-feira, dia 25, se comemora o Dia do Motorista e o reforço na busca por mais reconhecimento. Nesta data celebra-se a importância da valorização e do papel desses profissionais à sociedade. A busca, porém, é por reflexão. “Hoje, não recomendo a começar na profissão. Do jeito que está hoje, está difícil, ruim. Antigamente, quando eu comecei, era bem diferente de hoje. Precisa melhorar tudo: baixar o preço do óleo, aumentar o preço do frete e ter uma fiscalização para manter o frete tabelado. Criaram uma tabela que ninguém segue e nem fiscaliza”, enfatiza Cristiano. “Todo mundo diz para eu aumentar o preço do frete, mas é muita concorrência. Tem alguns que devem aquele ‘boletinho’ e pegam as cargas por menos, por se obrigarem. Assim, não tem como aumentar. Um monte de amigos meus está com o caminhão parado e botaram para vender porque a tabela não é respeitada e ninguém fiscaliza”, completa.
De acordo com dados do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), 3.608.394 pessoas possuem a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em Santa Catarina. Dessas, 1.877.421 tem a CNH na categoria AB, que permite aos condutores dirigirem tanto motocicletas como carros; e 1.277.392 estão habilitados a trafegarem veículos de quatro rodas, com até 3.500 quilos de peso bruto total (PBT).
Já na categoria C, que permite aos motoristas dirigirem caminhões, tratores, máquinas agrícolas e de movimentação de carga, são 35.989 em Santa Catarina. Somente nas regiões Carbonífera (Amrec) e do Extremo Sul (Amesc), conforme dados do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Sul de Santa Catarina (Setransc), existem mais de 600 transportadoras de carga, que empregam, aproximadamente, quatro mil motoristas. “Sou casado e tenho uma menina de um ano e sete meses. Eu saio de casa cedo, e ela está começando a falar. Então, ela acorda e começa a chamar ‘pai, pai’. Isso corta o coração da gente. Dá vontade de abandonar tudo e ficar em casa”, destaca.
A migração da padaria para a estrada
Cristiano chegou na profissão por acaso. Antes de assumir o volante do caminhão, ele era padeiro. A migração da padaria para a estrada aconteceu por influência da família. “Meu pai sempre foi caminhoneiro. Um dia, eu fiz uma viagem com um primo e resolvi comprar um caminhão. Hoje, tenho o meu veículo. Comecei viajando como empregado, gostei e sigo, até hoje, na profissão”, lembra.
A mudança foi drástica: da “água para o vinho”. “Muda tudo. Quando eu era padeiro, estava em casa, com a família. Caminhoneiro está em casa hoje, amanhã não está mais. Tu não sabes quando está em casa, em um aniversário de um filho, dia dos pais… E a vida do caminhoneiro, hoje, está ruim. Para trabalhar nessa profissão, hoje, tens que gostar. Dizer que vai trabalhar e ganhar dinheiro, não dá mais. Está muito difícil para autônomo. Mas estamos seguindo”, diz.
*A matéria completa está no jornal TN desta segunda-feira




