Gustavo Milioli
Orleans
“Claro que tu vai sair na foto. É dali que pagamos a tua faculdade.” A filha do meio do casal
Jair Loli e Rosilan é a única que ainda não se encontrou na atividade rural familiar. Donos
de 34 hectares de terra na localidade de Boa Vista, no interior de Orleans, a produção de fumo e gado leiteiro garante o sustento da família.
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A mais velha, de 21 anos, já se decidiu. Vai continuar na agricultura. O caçula, com apenas
seis anos, vê tudo como uma grande brincadeira. Se diverte em meio aos animais, mas o pai vê um brilho no olhar diferente quando ele o acompanha ‘na lida’. “Não precisamos convidar duas vezes. Se dependesse dele, ficava aqui desde de manhã até às 10 da noite”, conta Jair.
A propriedade produz 120 mil pés de fumo em uma safra, além de possuir 42 vacas. Apesar de o preço do leite ter disparado nos últimos meses, a agricultor não viu diferenças no ganho. “Eles não repassam a nós. No ano passado, vendíamos o litro do leite a R$ 2,50, e o mercado, no máximo, a R$ 4,30. Hoje, já está em R$ 7 nas prateleiras, com nós, ainda, vendendo a R$ 3,30. Não acompanha o crescimento”, afirma.
As dificuldades com os altos preços dos insumos ocasionados pela pandemia e, mais recentemente, pela guerra entre a Rússia e a Ucrânia, ou os fenômenos climáticos adversos, como secas prolongadas ou fortes quantidades de chuva, não o fazem pensar em largar a vida no campo.
“É um aprendizado. Não trocaria esse canto por nada”, relata Jair, há cinco anos presidente
da Cooperativa de Agricultores Familiares e Produtores de Leite de Orleans (Cooperfale). “Somos em 45 associados. No ano passado, coletamos 285 mil litros de leite”, completa.
Matéria completa na edição desta segunda-feira do jornal impresso Tribuna de Notícias




