Suinocultores esperam queda no custo de produção

Gustavo Milioli
Criciúma

No final de março, um protesto inusitado chamou a atenção de Santa Catarina. Produtores de carne suína distribuíram de maneira gratuita à população cerca de 10 toneladas do alimento no centro de Braço do Norte, um dos municípios onde a atividade é mais atuante. Mais de três meses depois, a situação pouco mudou.

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De acordo com a Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS), após a manifestação, o quilo da carne pago pela indústria até recebeu um leve aumento,
mas ainda sem atingir o custo de produção dos suinocultores. “Antes, vendiam a R$ 5. Hoje, está em torno de R$ 6,20. Mas o custo de produção não diminuiu em nada, continua em R$ 8. Vários produtores continuam desistindo da atividade, com uma redução do plantel cada vez maior”, pontua Losivanio Luiz de Lorenzi, presidente da ACCS.

Perdas
Lorenzi lembrou que, de janeiro a maio deste ano, o Estado perdeu 92 mil toneladas de exportação para a China. “Em 2019, a China anunciou que tinha peste suína africana. Eles têm 48% da produção mundial de suínos. Eles demandaram um grande volume de importação. Agora, eles recuperaram de maneira muito rápida a produção e pararam de importar. Ficamos na mão”, externa. Havia ainda um acordo para a venda de 100 mil toneladas para a Rússia até junho, arruinado após a eclosão da guerra contra a Ucrânia.

O mercado independente é o mais prejudicado. A associação espera uma queda significativa na produção, com os produtores se adequando às dificuldades para
conseguirem continuar no ramo. “Aqueles que ainda têm crédito, buscam no banco
o Plano Safra. Mas, todos com medo por já estarem endividados. Se buscarem algum recurso, terão que primeiro pagar o financiamento para depois buscar um outro. Sempre empurrando o problema com a barriga”, comenta.

Isolados e sem apoio
O presidente afirmou que a classe aguardava uma ajuda maior do Governo do Estado. “Veio os R$ 10 milhões para o pagamento de juros em até 5%, mas não havia como pegar, porque no banco estava de 12% a 18%. Mesmo com o governo ajudando, não traria uma esperança ao produtor, que pegariam dinheiro emprestado para aplicar em uma atividade
que não sabiam se teria retorno a frente”, conta.

Losivanio declarou que o governo auxiliaria mais o setor caso zerasse o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para a venda de suínos para fora de Santa Catarina. “Está a 6%. É mais bem-vindo do que zerar o juros do produtor”.

Mas nem só de notícias ruins vive o setor. Há a expectativa de o custo de produção cair nos próximos meses com o barateamento do milho e da soja, utilizado na ração dos animais.
“Essa é a projeção, por isso podemos ter uma sobrevida. Mas, no ano que vem, a previsão segue desoladora”, finaliza.

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