Dia do Químico: indústria forte e amor à profissão

Thais Borges/Especial
Criciúma

Emprego e renda. A indústria química garante essas duas palavras para os profissionais e operários do setor em Criciúma e região. A economia do Sul catarinense evidencia isso. Este sábado, 18, é Dia do Químico. A data relembra, acima de tudo, o amor pela profissão.

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De acordo com dados da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), no Estado, o ramo químico fez parte de 7,1% das indústrias em 2020. No mesmo ano, 56.983 profissionais tiveram emprego garantido. Em sua maioria, ocuparam cargos em empresas voltadas à fabricação de produtos de material plástico, que são predominantes em SC.

Já em 2021, valores bilionários movimentaram as importações e exportações no ramo: US$ 6,6 bilhões e US$ 455,6 milhões em dólares, respectivamente. Os principais países de destino dos produtos ficam na América: Estados Unidos em primeiro lugar, Argentina e Paraguai em segundo e terceiro e Chile e México em quarto e quinto.

Representação

O Sindicato das Indústrias Químicas do Sul Catarinense (Sinquisul) representa a classe trabalhadora e possui 31 empresas associadas que envolvem aproximadamente 2 mil colaboradores. São 22 anos atuando para defender os interesses dos profissionais e manter a sintonia com os empregadores.

Andrés Raimundo Federico Pesserl é o presidente do sindicato e tem experiência de 40 anos na área. Ele também é empresário do ramo de cosméticos e perfumaria. Para o presidente, ser a ponte entre os químicos e os empresários é essencial. “O sindicato é uma entidade que é absolutamente necessária em qualquer organização social. Seja laboral ou patronal, congrega os interesses das categorias procurando sempre extrair a melhor situação, tanto na parte do trabalhador, tanto na parte empresarial para que haja harmonia, seriedade e sobretudo respeito mútuo”, explica.

O presidente ressalta que os dois lados ganham se a comunicação for eficaz. “Se consegue ter resultados muito interessantes, melhorias”. Ainda segundo Pesserl, as principais reivindicações dos trabalhadores são “melhorar a sua condição de segurança, de higiene, de ambiente de trabalho e de remuneração”.

O Sinquisul também tem parceria com a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc). Reuniões mensais sobre o andamento e a defesa do setor são realizadas e têm a presença do sindicato. O Sinquisul abrange as empresas desde Imbituba até Passo de Torres.

Tintas

Sem dúvidas a produção de tintas é o comércio mais forte do ramo químico na região. Os colorifícios, que servem de insumos para produtos em cerâmica, além de adesivos químicos, são as indústrias mais fortes, de acordo com o presidente da Sinquisul. Elton da Silva, de 38 anos, já dedica o seu cotidiano ao ramo de tintas há 17 anos. O profissional trabalha na Anjo Tintas desde que entrou como estagiário na empresa. Ele fazia faculdade de engenharia química na época. Após um ano atuando, ele foi efetivado. Agora, Silva faz parte do gerenciamento dos laboratórios de controle de qualidade e é gerente de pesquisa e desenvolvimento nas unidades de revenda, além de desempenhar outras funções.

Elton foi motivado por professores apaixonados por química durante o ensino médio. “Como sempre, tive interesse na área de exatas. No segundo ano do ensino médio, estudando nas possibilidades de cursos de ensino superior, encontro o curso de engenharia química”, relembra. O químico agarrou a oportunidade. “Foi a chance de unir as áreas em um curso completo de desafios e grandes aprendizados”, destaca.

O foco do gerente é a dedicação ao atual emprego.“Sou um profissional que busca conhecimento e crescimento na empresa ao qual trabalho. Me sinto muito satisfeito em aprender, ser reconhecido e crescer dentro da organização”, afirma.

Tudo é química

Todo produto passa por um processo químico. É o que diz Elton da Silva. “Se a economia é baseada na venda de serviços ou produtos, sempre há a necessidade de especialistas da química envolvida em diferentes gerações da cadeia produtiva”, defende. A lista de materiais desenvolvidos é grande. “Podemos citar vários exemplos: papel, tintas, bebidas, fertilizantes, plásticos, cerâmicas, petroquímica, entre tantas outras áreas e aplicações”.

Do técnico para a vida

Foi em um curso técnico de química durante o ensino médio que, Clair Agenor da Silva do Prado, hoje com 46 anos, encontrou a profissão que iria exercer durante as próximas décadas. Já faz 27 anos que ela faz parte da equipe da TSA, empresa que produz tintas para impressões em plástico.

“Saí do curso técnico. Fiz estágio em algumas empresas da região. Na TSA, entrei como estágio e permaneci. Hoje estou como assessora de pesquisa e desenvolvimento. Faço a parte de produtos novos. Desenvolvo tintas novas para matérias-primas novas”, detalha o seu papel na empresa.

Quando Clair iniciou no ramo, a indústria química na região estava se desenvolvendo. “Era mais voltada para a questão carbonífera, de extração. Então quando eu comecei, estava iniciando. Iniciou em 1994, quando eu estava quase saindo do meu curso. Hoje já são empresas bem fortes na região. A indústria fortaleceu e ajudou a economia”, relembra sobre o enfraquecimento gradual da mineração de carvão em Criciúma e região e o crescimento do campo químico. “Eu gosto muito de trabalhar nessa área. Sempre gostei. Não me vejo trabalhando em outro setor”, revela.

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