Morro da Fumaça: amor pela vida no campo ultrapassa barreiras

Letícia Ortolan
Morro da Fumaça

Contemplar as maravilhas da natureza diariamente não é uma oportunidade que todos têm. Por isso, OrivaldoTurossi, agricultor de 68 anos, aproveita cada segundo, desde o início da sua rotina que começa ás 5h. Dono de uma propriedade modelo, localizada na Estação Cocal, em Morro da Fumaça, ele trabalha sob a assistência técnica da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), ao lado da esposa Brígida Turossi.

> Clique aqui e receba as principais notícias do sul catarinense no WhatsApp

Para chegar no lugar que está hoje, Turossi precisou passar por cima de grandes desafios. Em 1995, ele residia em uma pequena propriedade em Timbé do Sul (destinado ao cultivo do fumo), que foi toda totalmente destruída por uma enchente. Após o acontecimento, se mudou para sua localização atual, mas as dificuldades não pararam por aí. Anos depois de se reestabelecer, recebeu uma multa aplicado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) após um desmatamento de área nativa.

“Depois da enchente me mudei para cá com minha esposa e meus filhos. Começamos a trabalhar por aqui e cortei umas lenhas na minha propriedade, foi quando recebi a multa do Ibama. Isso nos desestabilizou totalmente. Recorrei em Urussanga, Florianópolis, Brasília e em Porto Alegre. Na época, a punição girou em torno de 50 salários mínimos. Não foi fácil pagar tudo isso, mas eu paguei”, salientou Turossi.

A família Turossi entendeu que precisava se dedicar ainda mais ao trabalho e em 2015, foi procurada pela Epagri, para desenvolver serviço em conjunto. A plantação de fumo foi abolida e hoje, a propriedade conta com 60 mil pés de plantas entre frutíferas, hortaliças e leguminosas. O local de 20 hectares (há) conta com 14 há de mato, um há de eucalipto e plamito, três de pastos e dois para a plantação.

Existem mais de quatro mil pés de plantas frutíferas na propriedade: abacate, nozes, goiaba, lichia, pitaya, banana, caqui, atemóia e maracujá são apenas alguns dos exemplos. Turossi vende diariamente quilos e quilos para feiras de Morro da Fumaça e Criciúma, mercados e escolas. A esposa Brígita é quem se responsabiliza pelas vendas e cuidados com a casa, enquanto o marido trabalha no cultivo das plantações.

“Consigo produzir 300 quilos em apenas um pé de Goiaba. Tenho 50 pés de abacate e consigo fazer 500 quilos por cada um. É um trabalho duro, acordo todos os dias cedo e nunca tenho descaso. Mas eu amo respiro essa vida, não imagino um futuro sem isso aqui. Se me colocar dentro de uma vila, na área urbana, eu morro”, indagou Turossi.

Época de Nozes

As árvores de nozes, típicas de regiões com clima frio, dão furtos entre os meses de março a junho. Além da fruta ser popular nas festas, principalmente nas saladas, traz bem-estar a saúde física, pois reduz o risco de diabete, é rica em antioxidantes, auxilia na perda de peso, reduz inflamações e ajuda no melhor desempenho do intestino.

A propriedade da família Turossi, possui 300 pés de nozes e a colheita da fruta já faz parte da rotina diária há pouco mais de 20 dias. “Acordo bem cedo e já começo a colheita, eu colho 20 quilos por dia e até o fim da época, minha projeção é conseguir colher mais de dois mil quilos. Vendo o quilo delas a R$ 30,00”, explicou.

Projetos

A propriedade Turossié vinculada ao Bolsa Verde, que faz parte do Plano Brasil sem Miséria (PBSM). O nome oficial do projeto é Programa de Apoio à Conservação Ambiental. Coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), por meio da Secretaria de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável/Departamento de Extrativismo, apoia a conservação da cobertura vegetal nativa. A família recebe para plantar alimentos. “Plantamos palmito e temos o apoio do Governo Federal”, explicou o agricultor.

Também está enquadrada no Projeto Bugiu, em que uma Organização não governamental (ONG) auxilia a propriedade para monitorar o macaco e faz visitas frequentes com veterinários. Quem visita a propriedade, ainda consegue identificar pássaros andado livremente, indo até casa de Turossi, em busca de comida.

Além disso possui 20 bois, inseridos no bem-estar animal. O agricultor se empenha para que eles tenham uma criação saudável, deixando todos na sombra. O ato também proporciona como melhor aproveitamento de recursos hídricos (economia de água), sem que prejudique a produção da carne bovina.

Trabalho com a Epagri

A Epagrié uma empresa pública, vinculada ao Governo do Estado de Santa Catarina por meio da Secretaria de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural. A organização que já possui 32 anos, tem como objetivo incentivar a força do agronegócio.

“O objetivo da Epagri é mostrar que ainda é possível viver com a agricultura. Eles fazem isso muito bem, sei que passei por muitas reviravoltas, mas desde que essa empresa entrou na minha vida, em 2015, as coisas só melhoraram. No fim agradeço por ter sido denunciado porque essa parceria só surgiu depois disso”, indagou Turossi.

Últimas