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terça-feira, junho 25, 2024

Forquilhinha vê no arroz, frango e metal as grandes forças econômicas

Gustavo Milioli/Tribuna de Notícias
Forquilhinha

A diversificação é o trunfo de Forquilhinha para a economia. O município, que conta com um dos cinco melhores índices da Região Carbonífera (Amrec), vê na rizicultura, no abate de frango e na indústria metalmecânica as suas grandes potências. No entanto, outras atividades também vêm atraindo destaque nos últimos anos. São os casos da indústria química, alimentícia, de bebidas, vestuária e metalúrgica. No agro, outras culturas também dividem os campos com o cultivo do arroz, como o milho, a soja, e uma diversidade de frutas.

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“Há um esforço muito grande por parte da Administração Municipal em trazer mais indústrias para Forquilhinha. O município enfrentou um problema quando acabou o carvão. Criou-se um hiato. Agora, a cidade corre atrás buscando novos segmentos e construindo áreas industriais para abrigar todas essas empresas”, comenta Sérgio Tiscoski, assessor do Movimento Econômico.

Tiscoski lembrou que a conclusão da pavimentação da Rodovia Jacob Westrup deve atrair ainda mais empreendimentos a Forquilhinha, por facilitar a logística de escoamento das produções com um acesso mais rápido à BR-101. “Hoje podemos dizer que Forquilhinha é a terceira maior economia da Amrec, tendo, no ano passado, um crescimento de mais de 30%”, observa.

Além da proximidade com a principal rodovia federal do país, Forquilhinha também espera aproveitar outro ponto crucial: o Aeroporto Diomício Freitas. Uma das principais bandeiras do prefeito José Cláudio Gonçalves, o Neguinho (PSD), está na reativação do aeródromo para voos comerciais e de carga. O chefe do Executivo forquilhinhense, empossado neste ano na presidência da Amrec, acompanha de perto as obras de revitalização realizadas pelo Governo do Estado e já iniciou as tratativas para o município assumir a administração do espaço.

Neguinho disse que, com a recente revitalização da Avenida 25 de Julho, pretende fomentar também o turismo. “Ao mesmo tempo, precisamos pensar em fortalecer a agricultura e criar novas alternativas de renda, trazendo novas empresas para cá. Aí entra o Diomício Freitas. É um grande atrativo para os empresários, gerando mais investimentos, empregos e renda”, destaca.

As obras no aeroporto devem durar até agosto, após o prazo de conclusão ser estendido em dois meses. “Já recebi o contato de três empresas que querem voltar a operar comercialmente aqui, mas a minha primeira missão, depois da revitalização, é requerer junto ao Estado a administração do Diomício Freitas através de uma Parceria Público-Privada (PPP). Com um grupo de empresários tocando o aeroporto, as coisas começam a avançar”, afirma o prefeito.

Na atualidade, Forquilhinha dispõe de oito áreas industriais. O Governo Municipal espera construir mais três, para dar conta da crescente demanda. “Já adquirimos 18,5 hectares próximo ao limite com Maracajá, outro no Ouro Negro e estamos em tratativas para comprarmos uma outra área na Santa Líbera”, assinala Neguinho. Assim, o município poderá comportar mais 15 empresas de médio porte.

Do arroz, a energia para o desenvolvimento

Forquilhinha está entre os maiores produtores de arroz de Santa Catarina. Nesse ano, uma safra recorde. Foram mais de 2,5 milhões de sacas colhidas nas propriedades das mais de 600 famílias dedicadas ao grão, que, juntas, somam 11 mil hectares de terra.

De acordo com Érico D’Amorim, secretário de Agricultura, o Governo Municipal oferece uma série de incentivos aos homens do campo, das mais variadas culturas. “Para o setor aviário, damos toda a terraplanagem. Para os agricultores, dispomos do maquinário, com retroescavadeira, caminhão e trator. A S90, que no mercado custa em torno de R$ 400 a hora, eles pagam apenas R$ 70. Financiamos quase todo o valor para o pequeno produtor, aquele que não possui o equipamento adequado”, pontua, listando o programa Porteira a Dentro.

Forquilhinha tem capacidade para gerar 180 sacas de arroz por hectare. A quantidade de produção não se alterou em relação ao ano passado, mas a lucratividade dos produtores deve diminuir consideravelmente. “Eles vendiam a saca a R$ 90 e compravam o adubo a R$ 130. Agora, o arroz custa R$ 60 e o adubo subiu para R$ 250. Eles vinham de duas ótimas safras, mas nesta será terrível”, enfatiza.

Preocupação com o futuro

O rizicultor Edair Eyng possui 140 hectares de plantação em Forquilhinha. Criado desde pequeno no meio, o agricultor reconhece os altos e baixos que o ramo enfrenta com o passar do tempo. Além do preço do arroz ter diminuído, ele lamenta os elevados custos de combustível e insumos. Diante das dificuldades, caso não termine o ano no prejuízo, será para agradecer. “A adubo e os defensivos agrícolas explodiram. Quase triplicou o preço. A matemática não fecha. Quem conseguir ficar no zero a zero vai ter que levantar as mãos para o céu e comemorar”, projeta.

Eyng pediu a compreensão da população. Ele afirmou ouvir alguns comentários inoportunos a respeito dos agricultores sobre os preços dos produtos nos supermercados. “Estamos no mesmo barco, não podemos fazer nada. As duas pontas estão sendo prejudicadas. O problema da agricultura está no meio-campo, que dita o ritmo por conta da especulação financeira. Dão a desculpa da guerra na Ucrânia, mas sabemos que o real motivo não é esse”, avalia.

“Nós não queremos o arroz custando R$ 100 a saca. Queremos um custo de produção razoável e que sobre uma margem de lucro como qualquer empresa. Não pode ter essa variação tão louca. O pessoal acha que a culpa é nossa, que estamos enriquecendo. É balela. Quem está sofrendo é o setor produtivo e o de compra, lá no final”, complementa.

O produtor teve um prejuízo de 20% na lavoura por conta das temperaturas acima do normal em janeiro. Em fevereiro, uma tempestade de granizo também interferiu na produção. O maior problema é esperado para a safra de 2023, quando os preços atuais impactarão nas contas. “Vai ser um ano para cortar gastos, sem investir. Sabemos que dará prejuízo, só temos que evitar que seja muito grande. O último grande prejuízo aconteceu em 2011. Neste ano, perdi R$ 100 mil”, revela.

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