Criciúma
O aumento anunciado pela Petrobras nos preços da gasolina, diesel e gás de cozinha causou uma grande procura nos estabelecimentos durante a noite desta quinta-feira, 10. Segundo os revendedores, o dia já amanhece com os novos valores nas bombas.
O valor da gasolina foi reajustado em 18,77%. Para o diesel, o avanço foi de 24,9%, enquanto para o gás de cozinha, de 16%. A última alteração no preço dos combustíveis havia ocorrido há dois meses. Já o gás liquefeito de petróleo (GLP) não passava por reajuste desde outubro do último ano.
As mudanças repentinas fizeram os postos revendedores de Criciúma registrarem filas. O descontentamento dos consumidores com a notícia que partiu da estatal brasileira era evidente. “Quero só R$ 20. Não abasteça mais do que isso”, ordenou ao frentista o motorista de aplicativo Márcio Jordão, ao parar em um estabelecimento no bairro Próspera. Ele é aposentado e faz as corridas como uma forma de completar a renda, com seu carro a gás.
“Dolarizaram o combustível, mas nós, brasileiros, ganhamos em reais. Querem fazer a equiparidade do que é vendido lá fora, assim fica complicado. Morei 15 anos nos Estados Unidos e gastava cinco dólares em uma semana. Há quatro anos atrás, quando comecei a trabalhar com aplicativo, gastava R$ 20. Hoje, gasto R$ 80. É totalmente abusivo”, reclama.
A autônoma Lecir Mariano Pizzetti defendeu que, apesar do conflito atual no leste europeu, não esperava um aumento tão acentuado agora. “O preço da gasolina está exorbitante, não condiz com a realidade do Brasil e do momento que estamos vivendo. O Brasil é um grande produtor de petróleo, não é por causa da guerra na Ucrânia que dá direito ao governo de aumentar o preço dos combustíveis. Apesar de o preço do petróleo ser baseado na tabela mundial, ainda não estamos em US$ 300 dólares o barril. Não justifica”, defende.
Eriton Delfino é outro que depende do automóvel para trabalhar. Ele vinha gastando, em média, R$ 400 por mês apenas em combustível. “É uma vergonha. Aumentou tudo de novo, e com essa guerra, deve piorar mais ainda. O pior é que lá no supermercado vai acontecer o mesmo. Carne, azeite… Sempre estoura no bolso do trabalhador”, lamenta o colorista.
Empresários do setor sem saída
Os revendedores de combustíveis não têm opções diante da decisão da Petrobras. Os novos valores começaram a ser praticados nas bombas depois da meia-noite desta sexta-feira, 10. Edmilson Barp é proprietário de uma rede de postos em Criciúma e vendia a gasolina a R$ 6,19 até o reajuste.
“Fazia um tempo que não aumentava. Eu não acredito que o governo vá intervir. Enquanto tiver guerra, não há o que fazer. É um ano eleitoral, mas não dá para segurar. São muitos acionistas em cima. Se tiver acordo na Ucrânia, quem sabe aconteça o congelamento dos preços. Mas o ideal mesmo era privatizar a Petrobras”, opina.
Apesar da procura ter se intensificado horas depois do anúncio, o empresário espera uma queda nas vendas a partir do momento da implantação dos novos valores. “O pessoal começa a dirigir menos, ser mais econômico. Várias pessoas já começaram a procurar deixar de lado os carros. Agora, é a tendência”, afirma.
A matéria completa sobre o tema você confere nas páginas 14 e 15 do Jornal Tribuna de Notícias desta sexta-feira




