Tiago Monte
Criciúma
Uma das maiores universidades de Santa Catarina tem como líderes três mulheres. A reitora Luciane Bisognin Ceretta, acompanhada das pró-reitoras, Indianara Reynaud Toreti e Gisele Silveira Coelho Lopes, gerem a Unesc pelo segundo mandato e servem como referência para outras mulheres no campus e em toda a região.
A reitora minimiza o gênero na ocupação dos cargos. “O que nos trouxe aqui foram a competências, habilidades e atitudes necessárias para as funções. A gente trabalha com pessoas. A educação superior é altamente complexa e exigente. O setor requer um perfil profissional muito diferenciado. Nós temos mulheres que reúnem essas características, felizmente, em nossa universidade. Elas reúnem a sensibilidade necessária para captar as necessidades postas e a coragem necessária para a tomada de decisão. De modo a produzir soluções imediatas para problemas complexos”, destaca Luciane.
A posição que elas ocupam pode ser considerada uma conquista. Isso porque Luciane é a primeira mulher a ocupar o cargo máximo da universidade. Por outro lado, a reitora considera a ascensão uma construção cotidiana cercada de diversos elementos. “Se olharmos para o histórico da mulher e a sua recente ascensão ao voto, aos direitos fundamentais, de cidadania, inclusive, eu posso dizer, então, que é uma conquista. Mas ela é uma construção cotidiana, advinda de um grande empenho, dedicação, responsabilidade, desse conjunto de habilidades que eu coloquei e que nos colocam nos lugares onde estamos”, comenta.
A responsabilidade de ser referência no gênero
A posição de destaque gera grande responsabilidade para a reitora e às pró-reitoras. Luciane defende que a mulher pode estar onde ela desejar. “A mulher que ocupa espaços, porque foi o resultado ou trajetória do trabalho, do que buscou da vida, ela tem uma responsabilidade muito grande. Ela precisa ser inspiradora de todas as outras que, tantas vezes, em tantos lugares, são tratadas com subserviência, subalternidade e, muitas vezes, colocadas em um lugar de demérito”, pontua.
Ser mulher exige mais energia para Luciane realizar as atividades diárias. Algo que seria menos difícil para um homem – apenas em função do gênero. “Como mulher, eu devo dizer que sempre trabalhei com pessoas, mas, este lugar que ocupo agora, e venho para a segunda gestão, me mostrou muito claramente, o quanto eu tenho que colocar o dobro de energia nas lutas que empreendo, seguramente, como um dos componentes, pelo gênero”, comenta.
A chegada de três mulheres nos postos mais altos da universidade representa uma conquista histórica e inimaginável há, por exemplo, 50 anos. “Essa universidade tem 53 anos de história. Eu, no lugar de reitora, fui a primeira da universidade. Porém, ela é construída por muitos homens e muitas mulheres. As gestões anteriores à nossa, eram de um reitor, de uma figura masculina, mas cercado de forças femininas trabalhando e construindo todos os espaços acadêmicos de infraestrutura, administrativos e financeiros da nossa universidade”, diz.
O posto ocupado por Luciane dá visibilidade maior a todas as mulheres. “Elas perderam visibilidade, em tempos anteriores, mas estiveram presentes trabalhando e dedicadas atuando. No entanto, foi a presença da mulher à frente que trouxe todas juntas na visibilidade”, comenta.
Qualificação da gestão da universidade
Para a pró-reitora acadêmica, Indianara Reynaud Toreti, é importante ter as diferentes pessoas compondo a gestão da universidade. “Hoje, quando eu olho para as mulheres, em cargos de gestão, em diferentes setores da universidade, a gente vê muito isso: como é importante compor, com todas essas diferenças, para que a gente possa qualificar a gestão”, diz.
Ela reforça que as competências e habilidades têm mais relevância para o crescimento dentro da universidade. “Qualquer pessoa que consiga juntar as competências e habilidades necessárias para o exercício da função, independente do gênero, obviamente que muito dialogado com a nossa universidade, ela tem condições de assumir. Independente do gênero. Essa discussão de gênero não é realizada dentro da universidade: tem que ser um homem, tem que ser uma mulher. A gente olha muito para a questão de competências e habilidades”, pontua.
Conforme a pró-reitora de planejamento e desenvolvimento institucional, Gisele Silveira Coelho Lopes, as mulheres que comandam a Unesc tem sororidade. Ou seja: um comportamento de não julgar outras mulheres e, ainda, ouvir com respeito as reivindicações do gênero. “Temos sororidade. Isso é o mais lindo de uma mulher: querer ver o sucesso da outra, independente se brilha mais ou menos que você. Ela está representando a mulher”, diz.
Gisele considera a mulher um talento, um ser humano que pode colaborar muito para o crescimento das instituições. “Na minha trajetória, sempre vi a mulher não como algo diferente, mas como um talento, um ser humano que pode colaborar, independente do gênero. Hoje, a minha atuação não tem essa distinção: eu sou mulher ou não sou. Eu entendo que tu tens que entregar competência e é desse modo que eu vejo”, finaliza.




