Tiago Monte
Criciúma
Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) anunciou um novo aumento na taxa básica de juros. Assim, a Selic passou de 9,25% ao ano (a.a.) para 10,75% a.a.. O impacto é imediato em diversos setores da economia e quem mais sente, em um primeiro momento, é o mercado automotivo. As lojas de carros zero quilômetro, e também seminovos, já sentem esse efeito, principalmente porque os financiamentos ficam mais caros com o aumento das taxas. “Na verdade, houve um movimento, desde dezembro, de uma queda de vendas de veículos, no Brasil inteiro, e, claro, que a alta de juros repercute, porque, primeiro, psicologicamente todos estão acostumados com custo barato de financiamentos e tem aumentado a cada mês, praticamente. Claro que isso reflete nos financiamentos e na venda de carros”, explica o Diretor Regional, no Sul de Santa Catarina, da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), Renato Costa.
Em um ano, a taxa básica de juros saiu de 2%, em janeiro de 2021, para 10,75% agora em fevereiro. “O comentário é geral. Os retornos para a Fenabrave são nesse sentido, mas não há o que fazer”, lamenta Costa.
Porém, demonstrando otimismo, o Diretor já vê alguma melhora neste mês.“A queda nas vendas foi grande, bem representativa, mas fevereiro já está começando a dar sinais de recuperação”, detalha.
Aumento é um artifício do Governo Federal
O aumento na taxa básica de juros é uma estratégia do Banco Central para controlar o processo de inflação. “Na economia, a expansão da base monetária é a causa da inflação. O dinheiro deixa de se tornar raro, ele fica mais comum, então se torna menos urgente para as pessoas”, explica o economista Cláudio Henrique Tancredo. “O aumento da taxa de juros vem justamente para combater isso”, completa.
Com o aumento das taxas, o valor final do veículo, para o comprador, se torna maior. “Aumenta muito a taxa de financiamento e isso reflete na parte da venda de veículos. O valor do veículo fica maior para quem compra, pois o pagamento aumenta”, explica o economista.
A tendência, no curto prazo, é que a taxa se mantenha alta. A queda nas produções, em função da pandemia, teve impacto direto no mercado. “Quanto mais produtos na economia, reduziria o preço dos itens. Porém, nós tivemos uma queda na produção, pelas restrições da pandemia. Diminuiu muito a produção e a base monetária ficou maior por conta dos benefícios. Esse aumento é para corrigir o desajuste que aconteceu na pandemia. Assim, o governo age para ajustar a base monetária”, destaca Tancredo.




