Padroeira de Criciúma, festa de Santa Bárbara chega ao centenário

Conhecida pela proteção aos mineiros e contra relâmpagos e tempestades, sábado é feriado municipal em Siderópolis, Treviso e Lauro Müller

Foto: Lucas Colombo/ Arquivo TN

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Gustavo Milioli
Criciúma

A festa de Santa Bárbara, padroeira dos mineiros e da cidade de Criciúma, apresenta uma motivação especial neste ano de 2021. Será a celebração do seu centenário, que não pôde ser realizado no ano passado, em razão da pandemia. A programação começou no último dia 23, com a celebração de uma novena na Paróquia Santo Agostinho, do Rio Maina, e se encerrará neste sábado, 4 de dezembro, Dia de Santa Bárbara, às 10h, com missa presidida pelo bispo diocesano Dom Jacinto Flach, na Igreja Matriz do bairro homônimo.

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Um dos mais tradicionais eventos religiosos da região, a programação da festa de Santa Bárbara deste ano continua restrita às celebrações religiosas. Segundo o pároco, padre Wilson Buss, não serão realizadas as atividades culturais e de entretenimento. Somente as celebrações e novenas, que vêm abrangendo as nove comunidades da cidade de Criciúma. “Neste ano, queremos caracterizar a festa de Santa Bárbara como a festa centenária, já que a primeira festa foi realizada em 4 de dezembro de 1920. E a primeira procissão, em 1937”, destaca o religioso.

Neste sábado haverá três missas, às 8h, às 10h e às 16h”, pontua o pároco. Além das novenas, a comunidade poderá saborear um kit churrasco, distribuído no almoço de sábado. Os ingressos estão sendo vendidos antecipadamente e os pratos poderão ser retirados entre 11h e 13h30, em forma de drive-thru, no pátio da igreja. Os vales estão sendo ofertados no Sindicato dos Mineiros e na secretaria da Paróquia, ao valor de R$ 70, servindo duas pessoas. Os organizadores esperam vender até 600 kits.

Segundo Buss, a celebração alusiva à Santa Bárbara representa um importante resgate da história de Criciúma e de toda a sua população. “Queremos recuperar esse significado da mineração da cidade, sempre ligado à devoção da santa. Todas as minas possuem uma imagem de Santa Bárbara”, informa.

Santa Bárbara viveu no século III na região da Ásia Menor, onde hoje existe a Turquia. Católica, ela foi morta decapitada pelo próprio pai, que exigiu a renúncia de sua fé. “O pai dela não aceitou que ela fosse cristã, mas ela manteve firme a sua devoção. Foi condenada à morte em um tribunal, sendo assassinada pelo pai. Ao voltar, um raio atingiu o homem e ele morreu”, contextualiza Buss. Por isso, Santa Bárbara é invocada durante tempestades e adorada por todos que trabalham com explosivos, em busca de proteção divina.

Reconhecida em todo o mundo

Criciúma não é a única cidade onde a santa é a padroeira. Siderópolis, Lauro Müller e Treviso também possuem um feriado alusivo à data. Em comum, todos os municípios tiveram, por décadas, a economia baseada na extração de carvão mineral. Santa Bárbara também é adorada por mineiros de diferentes países do mundo.

“Anos atrás, estive na Polônia e visitei uma mina de sal. Inclusive, há uma catedral de sal no subterrâneo com estátuas e a imagem de Santa Bárbara em destaque”, conta Buss.
Em Criciúma, a atual Paróquia de Santa Bárbara começou a ser construída em 1952. “A carbonífera fez uma rua onde hoje fica a igreja, toda com casas da companhia. Assim, a matriz saiu do bairro Santo Antônio e foi transferida para cá. A paróquia foi inaugurada oficialmente em 1960. Todo o bairro era habitado por mineiros, inclusive o time de futebol Atlético Operário também era ligado à mineração”, comenta o padre.

 

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