Tiago Monte
Criciúma
Um capítulo à parte na rotina dos dentistas é o atendimento às crianças. Os pequenos, em geral, sentem medo e não aceitam bem a ideia de ir até um consultório. É aí que entra a “tia” Jéssica. Com 29 anos, Jéssica Vargas Teixeira é odontopediatra e se dedica à saúde bucal da primeira infância. Ela destaca que o importante é focar não apenas no pequeno paciente, mas também na família. “A odontopediatria exige amor. Quem trabalha com crianças tem que realmente amar mesmo o que faz, porque é um desafio diário. A gente não trabalha somente com a criança, em si: a gente tem que lidar com os familiares. Até mesmo na questão de tratamento também. Quando uma criança tem alguma cárie, por exemplo, temos que trabalhar também o comportamento familiar. A construção do vínculo com a família é muito importante, não só com a criança”, diz.
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A odontopediatria tem relação direta com a psicologia infantil. É desta forma que Jéssica costuma basear os atendimentos dela. “Existem muitas técnicas de manejo e comportamento. Então, vai desde o jeito que eu chamo o paciente, na sala de espera, a maneira como eu me visto e como enfeito o consultório. Eu tento trabalhar o mais lúdico possível e falar de um jeito que a criança se identifique”, pontua.
A baixa estatura da profissional é aliada na missão de acalmar as crianças. “Como eu sou pequeninha, acredito que isso ajuda para eles não me verem como uma ameaça (risos). É muito difícil de acontecer que uma criança não queira entrar na sala, porque tem todo o trabalho psicológico com a criança e a família dela desde a sala de espera”, destaca.
Uma aliada: a mascotinha Melissa
Além das duas auxiliares que trabalham com Jéssica, ela tem mais uma aliada importante para acalmar as crianças que chegam ao consultório: a mascotinha Melissa. Apesar do nome, não se trata de uma pessoa, mas, sim, uma girafa de brinquedo. “Ela é a chave do negócio porque eu sempre mostro tudo nela antes. Tanto para a criança quanto para os pais: o porquê de fazer aquilo. Isso faz bastante diferença”, comenta.
O tom de voz usado pela dentista ajuda no atendimento às crianças. “Eu falo de um jeito que a criança consegue compreender, com um tom de voz que ela se sente confortável. Uso palavras que a criança compreende e procuro explicar tudo o que eu vou fazer, antes da ação. É uma técnica que a gente usa na odontopediatria mesmo. E é a que eu mais uso. Têm outras também, mas essa é a minha favorita: falar, mostrar e fazer”, destaca. A técnica do “falar-mostrar-fazer” consiste em mostrar à criança que o profissional quer o bem dela.
O maior desafio para Jéssica tem relação com o comportamento das crianças. “Na clínica, eu trabalho principalmente com crianças da primeira infância – abaixo dos cinco anos. Essas crianças não têm tanta maturidade para entender o que está acontecendo e ficam um pouquinho mais resistentes, mas a minha filosofia é de trabalhar mesmo a questão do comportamento. Eu trabalho com duas auxiliares que são treinadas para saber lidar com o medo da criança e construir um vínculo mesmo com a família. Isso tem dado resultados muito bons”, comenta.
A reportagem completa você confere na edição de hoje do Tribuna de Notícias.




