Em Criciúma, detentos veem no estudo uma oportunidade de mudar de vida

Thaís Borges

Criciúma

Setembro é o mês Mundial da Alfabetização e Literacias (capacidade de ler, escrever, e interpretar o que é lido). A educação, que possibilita o processo de aprendizado de diferentes ciências, é garantida no artigo 250 da constituição de 1988. Segundo o artigo, “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Em Criciúma, o Presídio Regional cumpre o dever de levar educação aos detentos instalados na unidade prisional.

Atualmente, 97 presidiários fazem nivelamento, ensino fundamental e médio dentro do presídio. As aulas dos professores que vão até o local lecionar, são uma parceria com a Secretaria do Estado da Educação no Programa de Educação em Espaços de Restrição e Privação de Liberdade, desenvolvido por intermédio dos Centros de Educação de Jovens e Adultos (Ceja’s). “Eles são separados por turmas, devido ao nível escolar de cada um e estudam nos dois períodos, de manhã e à tarde”, explica Maira Montegutti, policial penal e coordenadora de educação do presídio.

De acordo com Maira, os presidiários podem optar por estudar ou não. “Perguntamos para eles se querem estudar e hoje, a maioria quer”, afirma a policial, que acredita que a educação pode mudar a vida dos apenados. “Eu acho muito importante que o presidiário tenha chance de conhecer o ensino, porque muitos deles conhecem o estudo somente aqui dentro. Essa integração é um dos pilares que vai preparar eles para voltar a sociedade”, pontua. 

Um dos presos, que tem 34 anos e que faz parte do presídio (não será identificado), pretende fazer um curso de graduação no futuro. “Eu já estou decidido em fazer ciência da computação ou engenharia da comunicação. Gostaria de me tornar um cientista de dados, focado em inteligência artificial.”, revela. O detento está se preparando para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). “Eu já participei da última edição e me saí muito bem. Eu tenho me preparado para que eu possa atingir um resultado satisfatório para conseguir uma nota suficiente para ingressar em um curso quando eu sair daqui ou se possível, enquanto ainda estiver aqui dentro”, destaca. 

Para o presidiário, o ensino proporcionou uma mudança em sua vida. “Eu acredito em um futuro glorioso em todas as áreas da minha vida, principalmente na área profissional e familiar. As minhas razões de vida tem se transformado dia após dia”, pensa o presidiário. 

“Eu apoio todas as formas de ressocialização nas unidades prisionais e uma delas é a educação. Quando o preso está estudando, trabalhando, fazendo alguma atividade, ele eleva a sua auto estima, fica mais calmo e tranquilo, trazendo segurança para todos dentro da unidade prisional”, declara o gerente do presídio, Rodrigo Ferreira.

Encceja e Enem

Os detentos estão se preparando para realizar exames de certificação do ensino fundamental, médio e graduação. Só o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja), que ocorre no mês de outubro, são 400 inscritos. No Enem, que ocorre em janeiro do próximo ano, são 178. “Aqueles que estudam em sala de aula, nós preparamos, e os que não estudam, a gente entrega apostilas e livros para eles se prepararem”, conta a coordenadora de educação.

Acesso à leitura

Todos os encarcerados do Presídio Regional têm o direito de ler. No momento, 833 presos estão lendo e com a prática, podem diminuir dias da pena que estão cumprindo no projeto Despertar pela Leitura. “Eles lêem um livro por mês e ao terminar, fazem uma resenha. As professoras corrigem e se passarem, ganham quatro dias de remissão mensal por cada livro lido”, alega Maira. Em um ano, eles podem diminuir a pena em até 40 dias.

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